USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Mulher, 26 anos, previamente hígida, queixa-se de dispneia e fadiga progressivas, de início há 10 dias. Exame físico: palidez cutâneo mucosa, icterícia 2+/4+; baço palpável a 1 cm do rebordo costal esquerdo. Restante sem alterações. Exames laboratoriais: Hb: 7,1 g/dL; VCM: 101 fL (VN:80,1 - 95,3), HCM: 32 pg (VN:27-32,9); Gb: 9.000/uL (VN:4.050-11.800) e Plaquetas: 89.000/uL(VN:203.000-445.000). Hematoscopia: policromasia, microesferócitos, plaquetas reduzidas no esfregaço de sangue periférico. Contagens de reticulócitos absoluta: 424.000/uL (VN:25.000-105.000) e relativa: 19% (VN:0,5-2,0). Bilirrubinas totais: 4,0 mg/dL (VN:0,3-1,2 mg); Bilirrubina direta: 0,29 mg/dL (VN: < 0,3); Bilirrubina indireta: 3,71 mg/dL (VN: < 0,9); LDH: 1089 U/L (VN:120 - 246) e Haptoglobina: 4,6 mg/dL (VN:40-280). Qual é o exame laboratorial mais adequado para a avaliação diagnóstica?
Anemia hemolítica: anemia, reticulocitose, ↑bilirrubina indireta, ↑LDH, ↓haptoglobina. AHAI: Coombs direto positivo.
O quadro clínico e laboratorial (anemia, icterícia, esplenomegalia, reticulocitose, aumento de bilirrubina indireta e LDH, haptoglobina baixa, policromasia e microesferócitos) é altamente sugestivo de anemia hemolítica. A presença de microesferócitos e a suspeita de autoimunidade tornam o Teste de Coombs direto o exame mais adequado para confirmar a natureza autoimune da hemólise.
A anemia hemolítica autoimune (AHAI) é uma condição na qual o sistema imunológico produz autoanticorpos que atacam e destroem os próprios glóbulos vermelhos do paciente, levando à hemólise prematura. É uma causa importante de anemia e pode ser primária (idiopática) ou secundária a outras doenças autoimunes, infecções, neoplasias ou uso de medicamentos. O diagnóstico de anemia hemolítica é baseado em uma combinação de achados clínicos e laboratoriais. Clinicamente, o paciente pode apresentar palidez, fadiga, dispneia, icterícia e esplenomegalia. Laboratorialmente, a anemia é acompanhada de sinais de hemólise aumentada: reticulocitose (medula óssea tentando compensar), aumento da bilirrubina indireta (pela degradação da hemoglobina), aumento da desidrogenase lática (LDH) e diminuição da haptoglobina (proteína que se liga à hemoglobina livre). A hematoscopia pode revelar policromasia e microesferócitos. Para confirmar a natureza autoimune da hemólise, o Teste de Coombs direto (ou teste de antiglobulina direta) é o exame mais crucial. Ele detecta a presença de anticorpos (IgG) ou componentes do complemento (C3) ligados à superfície dos eritrócitos, confirmando a mediação imunológica da destruição. O tratamento da AHAI geralmente envolve corticosteroides, imunoglobulina intravenosa, rituximabe ou esplenectomia em casos refratários.
Hemólise é indicada por anemia, reticulocitose, aumento da bilirrubina indireta, aumento do LDH e diminuição da haptoglobina.
O Teste de Coombs direto detecta anticorpos ou componentes do complemento ligados à superfície dos eritrócitos, sendo o padrão-ouro para o diagnóstico de Anemia Hemolítica Autoimune.
Além da AHAI, a esferocitose hereditária é uma causa importante de microesferócitos, mas o Teste de Coombs direto seria negativo.
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