HRD - Hospital Rio Doce - Linhares (ES) — Prova 2020
Um homem de 35 anos vai ao pronto atendimento queixando-se de dispneia ao caminhar 1 quarteirão, com piora progressiva há 7 dias. Nega febre ou outros sintomas. Desconhece ser portador de doenças prévias e nega o uso de medicamentos ou drogas quaisquer. Ao exame físico, apresenta-se alerta, orientado, com as mucosas descoradas, ictéricas e hidratadas. Os dados vitais são PA: 120 X 76mmHg, FC: 92bpm, FR: 17ipm, SpO₂ em ar ambiente 98%. Está eupneico em repouso. Sem alterações no restante do exame físico. Exames de laboratório: hemoglobina 6,9g/dL; HCM 32pg; VCM 102fL; CHCM 35g/dL; RDW 18,4%; leucócitos 7.560/mm³; neutrófilos segmentados 5.980/ mm³; plaquetas 230.000/mm³; proteína C reativa 12mg/L; creatinina 1,5mg/dL; ureia 90mg/dL; coombs direto positivo; lactato desidrogenase 1.090U/L; bilirrubina total 2,5mg/dL; bilirrubina direta 0,5mg/dL; bilirrubina indireta 2,0mg/dL; reticulócitos 12,2%. Considerando o caso descrito, assinale a conduta terapêutica imediata MAIS ADEQUADA para esse paciente:
AHAI → Anemia + Hemólise (↑LDH, ↑Bili indireta, ↓Haptoglobina) + Coombs direto positivo. Tratamento inicial = Corticosteroides.
O paciente apresenta um quadro agudo de anemia grave com sinais de hemólise e Coombs direto positivo, configurando uma Anemia Hemolítica Autoimune (AHAI). A conduta imediata mais adequada é iniciar corticosteroides, como a prednisona, para suprimir a resposta autoimune.
A Anemia Hemolítica Autoimune (AHAI) é uma condição na qual o sistema imunológico produz autoanticorpos que atacam e destroem os próprios eritrócitos do paciente. É uma causa importante de anemia hemolítica adquirida, podendo ser primária (idiopática) ou secundária a outras doenças autoimunes, infecções ou neoplasias. A apresentação clínica varia de anemia leve a quadros graves com risco de vida, como o descrito na questão. O diagnóstico da AHAI é estabelecido pela tríade de anemia, evidências laboratoriais de hemólise (reticulocitose, aumento de LDH e bilirrubina indireta, diminuição da haptoglobina) e, crucialmente, um teste de Coombs direto positivo, que detecta anticorpos ou complemento na superfície dos eritrócitos. A morfologia do esfregaço de sangue periférico pode mostrar esferócitos. O tratamento inicial da AHAI grave é a imunossupressão com corticosteroides (ex: prednisona 1-2 mg/kg/dia), que geralmente resulta em melhora em poucos dias. Em casos refratários ou graves, outras terapias como rituximabe, esplenectomia ou imunoglobulina intravenosa podem ser consideradas. A transfusão de hemácias deve ser feita com cautela e apenas se houver instabilidade hemodinâmica ou hipóxia grave, pois as células transfundidas também podem ser hemolisadas.
Os critérios incluem anemia, evidências de hemólise (como reticulocitose, LDH elevado, bilirrubina indireta elevada, haptoglobina baixa) e um teste de Coombs direto positivo.
A conduta inicial mais adequada é a administração de corticosteroides em altas doses, como prednisona, para suprimir a resposta autoimune e reduzir a hemólise.
A transfusão é reservada para pacientes com instabilidade hemodinâmica ou sintomas de hipóxia grave, devendo ser realizada com cautela e preferencialmente após o início da terapia imunossupressora.
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