Anemia Hemolítica Autoimune (AHAI) na Infância: Manejo

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 3 anos de idade foi levado até o pronto‐socorro com devido história de palidez e prostração nos últimos dois dias. Os pais relataram que cerca de sete dias antes do início do quadro, a criança apresentou um episódio de febre e sintomas respiratórios associados. No momento em que chegou ao pronto‐socorro, o paciente apresentava‐se eupneico, hipocorado, ictérico, hipoativo, taquicardíaco, sem visceromegalias palpáveis. Foi realizada a coleta de exames na urgência com hemoglobina 6,2 g/dL; hematócrito 15,6%; leucócitos 36.000/mm³; plaquetas 145.000/mm³; reticulócitos 11%; DHL 670 UI/L; coombs direto positivo; bilirrubina total 7,5 mg/dL, bilirrubina indireta 7 mg/dL; bilirrubina direta 0,5 mg/dL; creatinina 0,4 mg/dl e creatinina 15 mg/dL. Com base nessa situação hipotética, no resultado dos exames e no quadro clínico, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Possível diagnóstico de anemia hemolítica autoimune. Nesse caso, é esperado também uma dosagem alta de haptoglobina.
  2. B) Paciente com quadro de anemia hemolítica autoimune. Como a maioria dos casos é idiopática na infância e não há a necessidade de investigar outras causas.
  3. C) Quadro compatível com crise aplástica no paciente com anemia falciforme, deve‐se solicitar transfusão de hemácias com urgência.
  4. D) Iniciar tratamento com corticosteroides, devido ao diagnóstico de anemia hemolítica autoimune e solicitar exames para investigação de causas secundárias. E) Provável deficiência de glicose‐6‐fostado desidrogenase. Questionar os pais quanto ao teste de triagem neonatal e realizar transfusão.

Pérola Clínica

Anemia + Icterícia + Reticulocitose + Coombs Direto (+) = AHAI.

Resumo-Chave

O tratamento inicial da AHAI por anticorpos quentes envolve corticoides; causas secundárias (infecções, lúpus) devem ser excluídas.

Contexto Educacional

A Anemia Hemolítica Autoimune (AHAI) na infância é caracterizada pela destruição prematura das hemácias mediada por autoanticorpos. O quadro clínico clássico inclui palidez, icterícia e, por vezes, esplenomegalia, frequentemente precedido por um quadro infeccioso viral. Laboratorialmente, observa-se anemia normocítica ou macrocítica (pela reticulocitose), elevação de bilirrubina indireta e LDH, além de queda da haptoglobina. O manejo inicial foca na estabilização clínica e início de imunossupressão com corticoides. A transfusão de hemácias deve ser evitada sempre que possível, pois a presença de autoanticorpos dificulta a prova cruzada e pode causar reações transfusionais graves, sendo reservada apenas para casos de instabilidade hemodinâmica ou anemia sintomática grave.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do teste de Coombs direto no diagnóstico?

O teste de Coombs direto (ou teste de antiglobulina direta) é o padrão-ouro para identificar a presença de anticorpos (IgG) ou frações do complemento (C3d) aderidos à superfície das hemácias. Um resultado positivo confirma que a hemólise tem base imunológica, diferenciando a AHAI de outras anemias hemolíticas não imunes, como esferocitose hereditária ou deficiência de G6PD.

Por que os corticoides são a primeira linha de tratamento?

Os corticosteroides, como a prednisona ou prednisolona, atuam reduzindo a produção de autoanticorpos pelos linfócitos B e, principalmente, diminuindo a expressão de receptores Fc nos macrófagos esplênicos. Isso reduz a destruição periférica das hemácias sensibilizadas (hemólise extravascular), permitindo a estabilização dos níveis de hemoglobina.

Quais causas secundárias devem ser investigadas na AHAI infantil?

Embora muitos casos sejam idiopáticos ou pós-virais transitórios, é fundamental investigar doenças autoimunes sistêmicas (como Lúpus Eritematoso Sistêmico), imunodeficiências primárias (como Imunodeficiência Comum Variável), infecções (como Mycoplasma ou EBV) e neoplasias hematológicas (linfomas), especialmente em casos refratários ou crônicos.

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