UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021
Mulher, 39 anos de idade, com lúpus eritematoso sistêmico (LES) há 4 anos, procura o PS com quadro de intensa fraqueza iniciada há cerca de 7 dias. Exame físico: descorada 4+/4, taquicárdica, taquipneica e com leve confusão mental. Exames laboratoriais: Hb = 3,9 g/dL (VR: 13,5 — 17,5 g/dL); VCM = 121 gL (VR: 80 — 96 fL); reticulócitos = 210.000 mm³(VR: 0,5 — 1,5% mm³); leucócitos = 2.450 mm³(VR: 3.000 — 10.000 mm³), com 340 linfócitos (VR: 900 — 2.900 mm³) e plaquetas 89.000 mm³(VR: 150.000 — 450.000 mm³). Qual é a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta imediata a ser adotada?
LES + anemia macrocítica grave + reticulocitose + pancitopenia → AHAI. Conduta: corticoterapia + transfusão.
A paciente com LES apresenta anemia macrocítica grave com reticulocitose, leucopenia e plaquetopenia, indicando uma anemia hemolítica autoimune (AHAI) como manifestação da doença. A reticulocitose elevada, apesar da anemia grave, sugere que a medula óssea está tentando compensar a destruição periférica de hemácias. A conduta imediata envolve a confirmação diagnóstica com perfil de hemólise e teste de Coombs direto, e o tratamento emergencial com corticoterapia e transfusão sanguínea em alíquotas para estabilizar a paciente.
A anemia hemolítica autoimune (AHAI) é uma complicação hematológica comum e potencialmente grave do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), afetando cerca de 10% dos pacientes. Caracteriza-se pela destruição prematura de eritrócitos mediada por autoanticorpos, levando à anemia. O reconhecimento rápido e o tratamento agressivo são cruciais, especialmente em quadros de anemia profunda, para prevenir morbidade e mortalidade. A fisiopatologia da AHAI no LES envolve a produção de autoanticorpos (geralmente IgG ou IgM) que se ligam à superfície dos eritrócitos, marcando-os para destruição por macrófagos no baço (hemólise extravascular) ou, menos comumente, por ativação do complemento (hemólise intravascular). Clinicamente, os pacientes podem apresentar palidez, fadiga, dispneia, taquicardia e, em casos graves, confusão mental ou choque. Os achados laboratoriais típicos incluem anemia (frequentemente macrocítica devido à reticulocitose), reticulocitose, aumento de LDH e bilirrubina indireta, diminuição da haptoglobina e, o mais importante, um teste da antiglobulina direta (Coombs direto) positivo. O tratamento da AHAI no LES visa suprimir a resposta autoimune e interromper a destruição dos eritrócitos. A corticoterapia em altas doses (ex: prednisona 1-2 mg/kg/dia ou pulsoterapia com metilprednisolona em casos graves) é a terapia de primeira linha. Em pacientes com anemia grave e instabilidade hemodinâmica, o suporte transfusional é essencial, preferencialmente com alíquotas para evitar sobrecarga e reações. Em casos refratários ou dependentes de corticoides, outras opções incluem imunoglobulina intravenosa (IVIG), rituximabe, azatioprina, micofenolato mofetil ou esplenectomia.
A anemia hemolítica autoimune é caracterizada por anemia (geralmente normocítica ou macrocítica), reticulocitose (indicando resposta medular), aumento de LDH e bilirrubina indireta, e diminuição da haptoglobina. O diagnóstico é confirmado pelo teste da antiglobulina direta (Coombs direto) positivo.
A conduta inicial para AHAI grave em paciente com LES inclui a estabilização hemodinâmica com suporte transfusional (em alíquotas para evitar sobrecarga e reações) e o início imediato de corticoterapia em altas doses (ex: prednisona oral ou pulsoterapia com metilprednisolona) para suprimir a resposta autoimune.
A AHAI se diferencia pela presença de reticulocitose e Coombs direto positivo. Anemias por doença crônica são normocíticas/normocrômicas e hipoproliferativas. Anemia perniciosa é macrocítica, mas com reticulocitopenia e deficiência de B12. A Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT) é uma anemia hemolítica microangiopática com esquizócitos e trombocitopenia grave, mas sem reticulocitose tão proeminente.
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