UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2020
E. E. P., 23 anos, sexo feminino, sem antecedentes patológicos significativos, procura o Pronto Socorro com queixas de fraqueza progressiva há duas semanas, acompanhada de palpitações aos pequenos esforços. Nega febre ou uso de medicamentos. Notou urina mais escura. Ao exame físico, apresenta-se: pálida +++, ictérica +, FC 120 bpm, PA = 110 x 70 mmHg, FR 20 irpm, RCR2T com sopro sistólico panfocal; MV fisiológico simétrico; abdômen: fígado não palpável, ponta de baço palpável, sem edemas. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Fraqueza, palpitações, icterícia, esplenomegalia e urina escura → suspeitar de anemia hemolítica.
A apresentação clínica com fraqueza progressiva, palpitações, icterícia e urina escura, associada à esplenomegalia, é altamente sugestiva de hemólise. A anemia hemolítica autoimune é uma causa importante a ser considerada, especialmente em uma paciente jovem sem antecedentes significativos, e requer investigação laboratorial específica.
A anemia hemolítica autoimune (AHAI) é uma condição na qual o sistema imunológico do paciente produz anticorpos que atacam e destroem seus próprios glóbulos vermelhos. É uma causa importante de anemia em adultos jovens e pode se apresentar de forma aguda ou crônica. A epidemiologia varia, mas é mais comum em mulheres e pode ser primária (idiopática) ou secundária a outras doenças autoimunes, infecções ou uso de medicamentos. A fisiopatologia envolve a ligação de autoanticorpos à superfície dos eritrócitos, levando à sua destruição prematura, principalmente no baço. Clinicamente, os pacientes apresentam sintomas de anemia (fraqueza, fadiga, palpitações), sinais de hemólise (icterícia, urina escura devido à hemoglobinúria ou bilirrubinúria) e, frequentemente, esplenomegalia devido ao aumento da atividade fagocítica do baço. O sopro sistólico panfocal pode ser um sopro de fluxo devido à anemia grave. O diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais que evidenciam hemólise (anemia com reticulocitose, aumento de bilirrubina indireta e DHL, diminuição de haptoglobina) e, crucialmente, pelo teste de Coombs direto positivo, que detecta anticorpos ou complemento ligados aos eritrócitos. O tratamento inicial geralmente envolve corticosteroides, e em casos refratários, imunoglobulina intravenosa, esplenectomia ou outros imunossupressores podem ser considerados. É fundamental para residentes saber identificar essa condição e iniciar a investigação adequada.
Para confirmar a hemólise, são essenciais: hemograma completo (anemia, reticulocitose), bilirrubinas (indireta elevada), DHL (elevado), haptoglobina (diminuída) e esfregaço de sangue periférico (esferócitos, policromatofilia). Para a causa autoimune, o teste de Coombs direto é fundamental.
A diferenciação se baseia na presença de sinais de hemólise (icterícia, esplenomegalia, urina escura, reticulocitose, DHL alto, haptoglobina baixa) e na positividade do teste de Coombs direto, que indica a presença de anticorpos na superfície dos eritrócitos. Outras anemias (ferropriva, B12) não apresentam esses marcadores de hemólise.
Na anemia hemolítica autoimune, o sistema imunológico produz autoanticorpos (geralmente IgG ou IgM) que se ligam aos eritrócitos. Esses eritrócitos revestidos por anticorpos são então destruídos prematuramente, principalmente no baço (hemólise extravascular) ou, menos comumente, na circulação (hemólise intravascular), resultando em anemia.
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