SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2020
Uma paciente de 22 anos, procurou atendimento médico, relatando olhos amarelos há uma semana. Notou ainda urina de coloração escura, além de desânimo e falta de apetite. Ao exame físico, encontrava-se em regular estado geral, lúcida e orientada no tempo e espaço, hipocorada (+++/4+) e ictérica (++/4+). Relatava fluxo menstrual aumentado, e uso frequente de AINEs devido a quadros frequentes de enxaqueca. Exames laboratoriais revelaram: Hb: 5,2g/dL, VCM: 87ftL, ureia: 47mg/dL, creatinina: 0,9mg/dL, BT: 8,8mg/dL, BD: 2,2mg/dL. Diante do quadro acima, assinale a alternativa correta:
Anemia + icterícia + BT ↑ (pred. indireta) + AINEs → suspeitar hemólise. Coombs direto confirma.
A paciente apresenta um quadro de anemia grave (Hb 5,2) com sinais de hemólise (icterícia, urina escura, BT elevada com BD normal, sugerindo predomínio de BI). O uso de AINEs e hipermenorreia são fatores complicadores, mas a anemia hemolítica autoimune é uma forte hipótese, exigindo tratamento imediato com transfusão e corticoterapia.
A anemia hemolítica autoimune (AHAI) é uma condição na qual o sistema imunológico do paciente produz anticorpos que atacam e destroem seus próprios glóbulos vermelhos. É uma causa importante de anemia em adultos jovens e pode ser primária (idiopática) ou secundária a outras doenças autoimunes, infecções ou uso de medicamentos. A apresentação clínica varia de quadros insidiosos a emergências graves, como no caso apresentado. O diagnóstico de AHAI é suspeitado pela presença de anemia, icterícia com predomínio de bilirrubina indireta, reticulocitose, aumento de DHL e haptoglobina baixa. O teste de Coombs direto (ou teste de antiglobulina direta) é o padrão-ouro para confirmar a presença de anticorpos na superfície dos eritrócitos. A história de uso de AINEs e hipermenorreia pode agravar a anemia, mas a icterícia e a urina escura apontam para hemólise. O tratamento inicial da AHAI grave e sintomática visa estabilizar o paciente e suprimir a resposta autoimune. A transfusão de concentrado de hemácias é indicada para anemia sintomática grave (Hb < 7g/dL ou sintomas de hipóxia). A corticoterapia, geralmente com prednisona em doses imunossupressoras (1-2 mg/kg/dia), é a primeira linha de tratamento para reduzir a hemólise. Em casos refratários, outras terapias como esplenectomia, rituximabe ou imunossupressores podem ser consideradas.
Os principais sinais e sintomas incluem anemia (palidez, desânimo), icterícia (olhos amarelos), urina escura (hemoglobinúria), esplenomegalia e, em casos graves, sintomas de hipóxia tecidual.
O teste de Coombs direto é fundamental para confirmar a anemia hemolítica autoimune, detectando anticorpos ou componentes do complemento ligados à superfície dos eritrócitos, indicando destruição imune.
A conduta inicial para anemia hemolítica grave e sintomática inclui transfusão de concentrado de hemácias para estabilização e corticoterapia (ex: prednisona 1mg/kg) para suprimir a resposta autoimune.
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