UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025
Paciente do sexo feminino, 32 anos, procura atendimento médico devido à astenia. Relata que vem tratando anemia há mais de um ano, em uso de sulfato ferroso duas vezes ao dia. Além disso, foi recomendado que ela utilizasse anticoncepcional oral combinado para reduzir o fluxo menstrual. Contudo, no último mês os sintomas de indisposição pioraram. Quando questionada, relata que notou piora da dor no corpo e que atribuiu a piora do quadro de fibromialgia ao estresse por questões de trabalho, além de piora da qualidade do sono. Ao exame físico, encontra-se hipocorada, levemente ictérica, eupneica no repouso, há presença de contraturas em região escapular e paravertebral, presença de sinovite em 2ª metacarpofalangeana direita e ombro esquerdo, presença de dermatite em áreas de exposição solar. O hemograma mais atual encontra-se a seguir.Para investigar melhor a anemia dessa paciente, devem ser priorizados os seguintes exames:
Anemia com icterícia, sinovite e dermatite → investigar hemólise (reticulócitos, bilirrubinas, DHL, haptoglobina).
A paciente apresenta um quadro complexo com anemia crônica, icterícia leve, sinovite e dermatite em áreas de exposição solar, além de piora da astenia. A persistência da anemia apesar do sulfato ferroso e a presença de icterícia sugerem uma causa não ferropriva, como anemia hemolítica ou autoimune. Os exames de reticulócitos, bilirrubinas, DHL e haptoglobina são cruciais para investigar hemólise. A sinovite e dermatite podem indicar uma doença autoimune subjacente, como Lúpus Eritematoso Sistêmico.
A investigação de anemia é um desafio comum na prática médica, e nem sempre a causa é simples como a deficiência de ferro. A paciente do caso apresenta um quadro de anemia crônica que não responde ao sulfato ferroso, acompanhada de sintomas como astenia, icterícia leve, sinovite e dermatite em áreas de exposição solar. Esses achados são cruciais para direcionar a investigação para além das causas mais comuns. A presença de icterícia leve sugere um aumento da bilirrubina indireta, que pode ser um sinal de hemólise (destruição de glóbulos vermelhos). A sinovite e a dermatite em áreas expostas ao sol são manifestações que levantam a suspeita de uma doença autoimune sistêmica, como o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), que frequentemente cursa com anemia hemolítica autoimune. Nesse contexto, a investigação deve focar em marcadores de hemólise. Os exames prioritários para investigar hemólise incluem a contagem de reticulócitos (que estará elevada em anemias hemolíticas compensadas), dosagem de bilirrubinas (com aumento da fração indireta), desidrogenase láctica (DHL) elevada (liberada por células danificadas) e haptoglobina diminuída (proteína que se liga à hemoglobina livre e é consumida na hemólise). Esses marcadores, em conjunto com o quadro clínico, são fundamentais para o diagnóstico diferencial e o manejo adequado de anemias complexas.
Anemia hemolítica pode ser sugerida por icterícia (pela bilirrubina indireta elevada), esplenomegalia, urina escura (hemoglobinúria), e sintomas gerais de anemia como astenia e palidez.
Reticulócitos elevados indicam que a medula óssea está tentando compensar a perda de hemácias. Bilirrubinas indiretas elevadas, DHL elevado e haptoglobina diminuída são marcadores laboratoriais clássicos de hemólise intravascular ou extravascular.
Doenças autoimunes como Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), síndrome de Evans (anemia hemolítica autoimune e trombocitopenia imune), e algumas linfoproliferativas podem causar anemia hemolítica autoimune.
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