PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2023
Lactente de dois meses de idade foi atendido na urgência para avaliação de febre, dois picos febris nas últimas 24 horas. Não apresentou sintomas associados, mantendo bom estado geral. Em uso de aleitamento misto (leite materno e fórmula infantil). Não está em uso de nenhuma medicação, exceto antitérmico. Nascido a termo, sem intercorrências no período neonatal. Recebeu as vacinas de dois meses há dois dias. Após avaliação médica, exame físico sem alterações, o paciente foi liberado para casa, e a febre considerada como reação vacinal. No entanto, foi coletado hemograma e observada anemia: Hemoglobina: 9,9g/dL; Hematócrito: 29,1%; Volume corpuscular médio (VCM): 78fL; Hemoglobina Corpuscular Média (HCM): 29pg; Concentração da Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM): 33g/dL; RDW 14,3% Assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica MAIS PROVÁVEL para a anemia identificada no paciente:
Lactente < 3 meses com Hb ~9-11 g/dL e VCM normal/baixo = Anemia Fisiológica do Lactente.
A anemia fisiológica do lactente é uma condição comum e benigna que ocorre por volta dos 2-3 meses de vida, devido à supressão da eritropoiese e à diminuição da vida útil das hemácias fetais. Os valores de hemoglobina de 9-11 g/dL são esperados nessa idade, sem sintomas de anemia.
A anemia fisiológica do lactente é um fenômeno comum e benigno que ocorre em todos os recém-nascidos, atingindo seu nadir por volta dos 2-3 meses de vida em bebês a termo. É importante que estudantes e residentes compreendam essa condição para evitar investigações e tratamentos desnecessários. A febre no caso é um distrator, provavelmente relacionada à vacinação recente. A fisiopatologia envolve a transição da eritropoiese fetal para a adulta. Após o nascimento, a alta concentração de oxigênio leva à supressão da produção de eritropoietina, resultando em menor produção de glóbulos vermelhos. Além disso, as hemácias fetais têm uma vida útil mais curta e são gradualmente substituídas por hemácias adultas. O rápido crescimento do lactente também contribui para uma hemodiluição relativa. O diagnóstico é feito pela idade do lactente e pelos valores do hemograma, que mostram uma hemoglobina entre 9-11 g/dL, geralmente com VCM e HCM normais ou discretamente reduzidos, e RDW normal. Não há necessidade de tratamento específico, pois a produção de hemácias se normaliza espontaneamente. É crucial diferenciar de outras causas de anemia, como a ferropriva, que exigiria suplementação.
A anemia fisiológica do lactente é causada por uma combinação de fatores: a diminuição da produção de eritropoietina após o nascimento, a menor vida útil das hemácias fetais e o rápido crescimento do bebê, que dilui a massa eritrocitária. É um processo normal de adaptação.
Os valores de hemoglobina na anemia fisiológica geralmente caem para 9-11 g/dL entre 2 e 3 meses de idade em lactentes a termo. Em prematuros, essa queda pode ser mais acentuada e precoce, com valores mínimos entre 7-9 g/dL.
A anemia fisiológica é geralmente assintomática e os índices hematimétricos podem ser normocíticos ou discretamente microcíticos. A anemia ferropriva, embora rara antes dos 4-6 meses em nascidos a termo, apresenta VCM e HCM significativamente baixos e pode ter sintomas como palidez e irritabilidade. A dosagem de ferritina e ferro sérico ajuda na diferenciação.
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