UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022
Paciente, sexo masculino, 2 meses e 10 dias de vida, veio encaminhado ao ambulatório de pediatria geral do Hospital Universitário acompanhado da mãe, com história de que a cirurgia de hérnia inguinal foi suspensa devido à anemia da criança. Veio para investigação e tratamento. História Fisiológica: Parto normal, de termo, sem intercorrência e clampeamento tardio do cordão. Peso de 3.300 g, comprimento de 49 cm, PC de 34 cm e Apgar 9 e 10. Nega icterícia neonatal. Alimentação no seio materno exclusivo. Mãe primípara, 22 anos e fez pré-natal sem intercorrências. Nega doenças na família. Mãe A+ e RN O+ e VDRL negativo para ambos. Peso atual de 5.600 g, comprimento de 58 cm, e PC de 39 cm. Exame físico: BEG, afebril, hipocorada (++/4+), anictérica, acianótica, ativa e reativa. Cabeça e pescoço sem alteração. AR: MVF sem ruídos adventícios. ACV: RCR, 2t, sem sopros e tempo de enchimento capilar <3 segundos. Abdome semigloboso, simétrico, sem visceromegalias e RHA +. SN: sem sinais meníngeos. Genitália masculina sem alteração. Pele sem lesões. Foram solicitados os seguintes exames: hemograma: Hb: 9g/dL, Ht: 28%, hemáceas normocrômicas e normocíticas. Contagem de reticulócitos normal. Esfregaço de sangue periférico normal. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Lactente 2-3 meses, aleitamento exclusivo, Hb 9-11 g/dL, normocrômica/normocítica, reticulócitos normais → Anemia Fisiológica.
A anemia fisiológica do lactente é um fenômeno normal que ocorre por volta dos 2-3 meses de vida. É caracterizada por uma queda gradual da hemoglobina devido à supressão da eritropoiese após o nascimento (pela alta oxigenação e vida útil mais curta das hemácias fetais) e à imaturidade da medula óssea para responder rapidamente à demanda. É normocrômica e normocítica, com reticulócitos normais ou baixos, e geralmente não requer tratamento, sendo autolimitada.
A anemia fisiológica do lactente é um fenômeno hematológico normal e esperado que ocorre nos primeiros meses de vida. É uma condição benigna e autolimitada, resultante da adaptação do sistema hematopoiético do recém-nascido ao ambiente extrauterino. Compreender essa condição é fundamental para pediatras e residentes, a fim de evitar investigações e intervenções desnecessárias. Após o nascimento, a alta concentração de oxigênio no sangue do recém-nascido leva a uma diminuição da produção de eritropoietina, o que suprime a eritropoiese. Além disso, as hemácias fetais (com hemoglobina F) têm uma vida útil mais curta e são gradualmente substituídas por hemácias com hemoglobina A. A medula óssea do lactente, ainda imatura, não consegue compensar rapidamente essa destruição e a demanda por novas hemácias, resultando em uma queda gradual dos níveis de hemoglobina. Essa queda é mais acentuada por volta dos 2 a 3 meses de idade, com valores de hemoglobina que podem variar de 9 a 11 g/dL em lactentes a termo. O hemograma tipicamente mostra hemácias normocrômicas e normocíticas, com contagem de reticulócitos normal ou baixa. O diagnóstico da anemia fisiológica é clínico e laboratorial, excluindo outras causas de anemia. Não há necessidade de tratamento específico, como suplementação de ferro, a menos que haja evidências de deficiência de ferro ou outra patologia. O clampeamento tardio do cordão umbilical pode atenuar a queda da hemoglobina inicial, mas não impede a anemia fisiológica. O acompanhamento pediátrico regular é importante para monitorar o desenvolvimento da criança e garantir que não haja outras causas subjacentes para a anemia.
A anemia fisiológica do lactente é causada pela transição da eritropoiese fetal para a adulta. Após o nascimento, a maior oxigenação leva à supressão da produção de eritropoietina, e as hemácias fetais, com vida útil mais curta, são destruídas. A medula óssea do lactente leva tempo para se adaptar e aumentar a produção de novas hemácias, resultando em uma queda transitória da hemoglobina.
A anemia fisiológica ocorre tipicamente entre 2 e 3 meses de vida. Os níveis de hemoglobina podem cair para 9 a 11 g/dL em lactentes a termo, sendo considerados normais para essa fase. Em prematuros, essa queda pode ser mais acentuada e precoce.
Geralmente, a anemia fisiológica não requer tratamento com suplementação de ferro, pois é uma condição autolimitada e não está relacionada à deficiência de ferro. O aleitamento materno exclusivo é suficiente, e a suplementação de ferro é indicada apenas se houver evidência de deficiência de ferro ou outros tipos de anemia.
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