UFCG/HUAC - Hospital Universitário Alcides Carneiro - Campina Grande (PB) — Prova 2020
LMAG, 28 anos, G3P2 (2 cesarianas), encontra-se no curso da 26a semana de gestação e apresenta os exames de rotina para o terceiro trimestre. As sorologias são todas negativas e o teste de tolerância oral à glicose está normal, assim como o sumário de urina. Ela não está fazendo uso de qualquer medicação ou suplemento. Apresenta hemoglobina de 11,5 mg/dl, o que chama a atenção do médico residente do primeiro ano (MR1), que se demonstra extremamente preocupado com esse resultado. A conduta, para essa paciente é:
Gestante 26 semanas, Hb 11,5 → Anemia fisiológica, iniciar sulfato ferroso oral.
A anemia fisiológica da gravidez é comum devido à hemodiluição. No segundo trimestre (14-28 semanas), Hb < 10,5 g/dL é considerada anemia. A paciente está no limite superior do normal para o segundo trimestre, mas a suplementação profilática de ferro é rotina na gestação para prevenir deficiência, mesmo sem anemia franca.
A anemia é uma condição comum na gestação, afetando uma parcela significativa das mulheres grávidas. É importante diferenciar a anemia fisiológica da gravidez da anemia patológica. A anemia fisiológica ocorre devido ao aumento desproporcional do volume plasmático em relação à massa de glóbulos vermelhos, resultando em hemodiluição. Os valores de referência para hemoglobina são ajustados para cada trimestre: >11 g/dL no 1º e 3º trimestres, e >10,5 g/dL no 2º trimestre. No caso apresentado, a paciente está na 26ª semana (2º trimestre) com Hb de 11,5 mg/dL. Embora este valor esteja acima do limite inferior para o 2º trimestre (10,5 g/dL), a suplementação profilática de ferro é uma prática padrão no pré-natal, independentemente dos níveis iniciais de hemoglobina, devido às elevadas demandas de ferro durante a gestação. O sulfato ferroso por via oral é a primeira linha de tratamento e prevenção. A indicação de transfusão de concentrado de hemácias é reservada para anemias graves e sintomáticas, ou em situações de emergência. A prescrição de hidróxido férrico endovenoso é considerada para casos de intolerância ao ferro oral, má absorção ou anemia ferropriva grave que necessite de correção rápida. Orientar apenas o aumento da ingesta de carne pode não ser suficiente para suprir as necessidades aumentadas de ferro na gravidez. Um polivitamínico pode ser útil, mas não substitui a suplementação específica de ferro.
Os valores de hemoglobina variam por trimestre: >11 g/dL no 1º e 3º trimestres, e >10,5 g/dL no 2º trimestre. Valores abaixo desses limites indicam anemia.
A suplementação de ferro é profilática e essencial devido ao aumento das necessidades de ferro para o crescimento fetal, placentário e aumento do volume sanguíneo materno, prevenindo a anemia ferropriva, que é comum na gestação.
A transfusão é reservada para casos de anemia grave sintomática, anemia aguda com instabilidade hemodinâmica, ou quando há falha na resposta à terapia oral ou intravenosa de ferro.
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