UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
Paciente no 3º trimestre de gestação, Rh-isoimunizada, realizou ultrassonografia obstétrica com Doppler. Que parâmetro ultrassonográfico, dentre os abaixo, deve ser considerado para avaliar anemia fetal?
Rh-isoimunização: PVS-ACM é o melhor parâmetro ultrassonográfico para avaliar anemia fetal.
Em gestações com Rh-isoimunização, o Pico de Velocidade Sistólica da Artéria Cerebral Média (PVS-ACM) é o método não invasivo de escolha para rastrear e monitorar a anemia fetal. Um aumento no PVS-ACM indica diminuição da viscosidade sanguínea e aumento do fluxo cerebral, correlacionando-se com a gravidade da anemia.
A Rh-isoimunização é uma condição que pode levar à doença hemolítica perinatal, caracterizada pela destruição dos eritrócitos fetais pelos anticorpos maternos. A anemia fetal resultante pode ter consequências graves, incluindo hidropsia fetal e morte intrauterina. A detecção precoce e o monitoramento da anemia são cruciais para o manejo adequado e a intervenção, se necessária, como a transfusão intrauterina. O Pico de Velocidade Sistólica da Artéria Cerebral Média (PVS-ACM) emergiu como o parâmetro ultrassonográfico de escolha para o rastreamento e monitoramento não invasivo da anemia fetal. Em fetos anêmicos, a diminuição da viscosidade sanguínea e a hipóxia levam a uma redistribuição do fluxo sanguíneo, com aumento do fluxo para o cérebro (efeito 'brain-sparing'). Esse aumento de fluxo se manifesta como uma elevação do PVS-ACM, que pode ser medido por Doppler. Valores acima de 1,5 múltiplos da mediana (MoM) são altamente sugestivos de anemia fetal moderada a grave. Outros parâmetros do Doppler, como os índices de pulsatilidade da artéria umbilical ou uterina, são importantes para avaliar a função placentária e o bem-estar fetal geral, mas não são específicos para anemia. O ducto venoso é mais utilizado na avaliação de fetos com restrição de crescimento grave ou hidropsia. A correta interpretação do PVS-ACM permite identificar fetos que necessitam de cordocentese para confirmação da anemia e, se indicado, transfusão intrauterina, melhorando significativamente o prognóstico perinatal.
O Pico de Velocidade Sistólica da Artéria Cerebral Média (PVS-ACM) é o método não invasivo mais preciso para detectar anemia fetal. Em fetos anêmicos, a viscosidade sanguínea diminui, resultando em aumento do fluxo sanguíneo cerebral e, consequentemente, elevação do PVS-ACM, que se correlaciona com a gravidade da anemia.
Na Rh-isoimunização, anticorpos maternos (anti-Rh) atravessam a placenta e destroem os glóbulos vermelhos do feto (que são Rh-positivos), causando hemólise. Essa destruição leva à anemia fetal, que pode variar de leve a grave, culminando em hidropsia fetal se não tratada.
Outros parâmetros incluem o índice de pulsatilidade da artéria umbilical, que reflete a resistência placentária e o bem-estar fetal, e a relação sístole/diástole das artérias uterinas, que avalia a perfusão placentária e o risco de pré-eclâmpsia ou restrição de crescimento. O ducto venoso é usado na avaliação de insuficiência cardíaca fetal ou hipóxia grave.
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