Anemia Fetal: Diagnóstico por Doppler e Hidropsia

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente, 40 anos de idade, secundigesta com parto vaginal anterior, sem doenças, retorna em pré-natal com 24 semanas de gravidez e apresenta os exames a seguir:Hb: 11,4 mg/dLHt: 34%Glicemia: 84 mg/dLTipagem sanguínea: A negativo. Pesquisa anticorpos irregulares: positiva.Toxoplasmose: IgG positivo e IgM negativo. Rubéola: IgG negativo e IgM negativo.Hepatite B: vacinada. Hepatite C: negativo. HIV: negativo.VDRL: 1:2FTA-ABS: negativo.Urocultura: E. coli > 10⁶ UFC multi-sensível.Ultrassonografia: feto único, vivo, apresentação pélvica com dorso à esquerda. Placenta posterior Grannum 0. Peso fetal estimado 780 g (p90). Observa-se ascite e derrame pleural laminar fetal. Doppler de artéria umbilical normal, pico sistólico de artéria cerebral média de 52 cm/s (mediana para 24 semanas = 30,7 cm/s). A hipótese diagnóstica para o achado ultrassonográfico é:

Alternativas

  1. A) Anemia fetal.
  2. B) Infecção congênita.
  3. C) Cardiopatia fetal.
  4. D) Diabetes gestacional.

Pérola Clínica

Mãe Rh-, anticorpos +, feto com hidropsia e PSV-ACM ↑ → anemia fetal por DHPN.

Resumo-Chave

A combinação de mãe Rh negativo com pesquisa de anticorpos irregulares positiva, associada a achados ultrassonográficos de hidropsia fetal (ascite e derrame pleural) e um pico sistólico da artéria cerebral média (PSV-ACM) elevado, é altamente sugestiva de anemia fetal grave, provavelmente por doença hemolítica perinatal (DHPN) devido à incompatibilidade Rh.

Contexto Educacional

A anemia fetal é uma condição grave que pode levar à hidropsia fetal e óbito se não diagnosticada e tratada precocemente. A causa mais comum de anemia fetal grave é a doença hemolítica perinatal (DHPN), geralmente decorrente da isoimunização Rh, onde anticorpos maternos atravessam a placenta e destroem os eritrócitos fetais. Outras causas incluem infecções congênitas (ex: parvovírus B19) e síndromes genéticas. O diagnóstico da anemia fetal é crucial no pré-natal. A pesquisa de anticorpos irregulares na mãe Rh negativo é o rastreamento inicial. Em casos de sensibilização, a monitorização fetal é realizada principalmente através do Doppler da artéria cerebral média (ACM). Um pico sistólico da ACM (PSV-ACM) elevado (>1,5 MoM) é o marcador não invasivo mais preciso para detectar anemia fetal moderada a grave, indicando a necessidade de investigação adicional ou intervenção. Achados ultrassonográficos como ascite, derrame pleural, edema de pele e cardiomegalia (hidropsia fetal) são sinais tardios e graves de anemia fetal. O tratamento pode incluir transfusão intrauterina de sangue, que é um procedimento de alta complexidade realizado em centros especializados para corrigir a anemia e prevenir a progressão da hidropsia. O manejo adequado é fundamental para melhorar o prognóstico perinatal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais marcadores ultrassonográficos de anemia fetal?

Os principais marcadores incluem o pico sistólico da artéria cerebral média (PSV-ACM) elevado, que é o mais sensível e específico para anemia moderada a grave. Outros sinais são hidropsia fetal (ascite, derrame pleural, edema de pele), cardiomegalia e hepatomegalia.

Por que a PSV-ACM está elevada na anemia fetal?

Na anemia fetal, a viscosidade sanguínea diminui, e o feto compensa aumentando o débito cardíaco e redistribuindo o fluxo sanguíneo para órgãos vitais, como o cérebro. Isso resulta em um aumento da velocidade do fluxo sanguíneo na artéria cerebral média, detectado pelo Doppler.

Quais são as causas mais comuns de hidropsia fetal não imune?

As causas mais comuns de hidropsia fetal não imune incluem anomalias cromossômicas, infecções congênitas (como parvovírus B19, citomegalovírus), malformações cardíacas, síndromes genéticas e anemia fetal de outras etiologias (ex: alfa-talassemia).

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