Anemia Ferropriva Grave: Manejo e Investigação

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023

Enunciado

Paciente do sexo masculino, de 63 anos, é internado por anemia. Exames mostram Hb 5,8g/dL VCM 65fL. ferritina de 3ng/mL. O paciente está clinicamente estável, normocárdico e eupneico. Refere já ter feito tratamento com ferro previamente, com melhora apenas temporária. Realizou endoscopia digestiva alta e baixa sem anormalidades. Não refere ter conseguido identificar melena nas fezes. Neste momento, o manejo adequado inclui

Alternativas

  1. A) iniciar reposição de ferro venoso, evitar transfusão de sangue, programar cápsula endoscópica.
  2. B) realizar transfusão de 2 concentrados de hemácias, iniciar ferro venoso e programar cápsula endoscópica.
  3. C) iniciar reposição de ferro venoso, evitar transfusão de sangue e pesquisar síndromes associadas à redução da absorção de ferro.
  4. D) realizar transfusão de 2 concentrados de hemácias, iniciar ferro venoso e pesquisar síndromes associadas à redução da absorção de ferro.
  5. E) iniciar ferro venoso e transfusão de 2 CH. Repetir EDA e EDB quando estável.

Pérola Clínica

Anemia ferropriva grave (Hb < 7) estável + falha oral + EDA/EDB normais → ferro venoso + cápsula endoscópica.

Resumo-Chave

Em pacientes com anemia ferropriva grave e refratária à terapia oral, ou com intolerância, a reposição de ferro venoso é a conduta inicial. Se a investigação endoscópica alta e baixa for negativa, a cápsula endoscópica é o próximo passo para identificar sangramento oculto no intestino delgado. A transfusão é reservada para instabilidade hemodinâmica ou sintomas graves.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando milhões de pessoas. Em adultos, a principal causa é a perda sanguínea crônica, sendo o trato gastrointestinal a fonte mais frequente. A identificação e tratamento da causa subjacente são cruciais, além da reposição de ferro. O diagnóstico é laboratorial, com hemoglobina baixa, VCM reduzido, ferritina sérica < 30 ng/mL (ou < 10-15 ng/mL em alguns contextos) e saturação de transferrina baixa. A investigação etiológica deve incluir endoscopia digestiva alta e colonoscopia. Se esses exames forem negativos e a anemia persistir ou for refratária, a cápsula endoscópica é o próximo passo para avaliar o intestino delgado. O tratamento envolve a reposição de ferro, preferencialmente oral. No entanto, em casos de anemia grave (Hb < 7-8 g/dL), intolerância ao ferro oral, má absorção ou doença inflamatória intestinal ativa, o ferro venoso é a opção mais eficaz e rápida. A transfusão de concentrado de hemácias é reservada para pacientes com instabilidade hemodinâmica ou sintomas de hipóxia tecidual, não sendo a primeira linha para correção da anemia em pacientes estáveis.

Perguntas Frequentes

Quando indicar ferro venoso na anemia ferropriva?

O ferro venoso é indicado para pacientes com intolerância ao ferro oral, má absorção, doença inflamatória intestinal ativa, ou anemia ferropriva grave que necessita de correção rápida.

Qual o papel da cápsula endoscópica na anemia ferropriva?

A cápsula endoscópica é utilizada para investigar sangramento digestivo oculto no intestino delgado, após endoscopia digestiva alta e colonoscopia resultarem negativas.

Quais os critérios para transfusão de hemácias em anemia ferropriva?

A transfusão de hemácias é reservada para pacientes com instabilidade hemodinâmica, sinais de hipóxia tecidual (angina, dispneia grave) ou anemia sintomática grave, independentemente do valor da hemoglobina.

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