USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Lactente masculino, 3 meses de vida, está em consulta ambulatorial de rotina. Tem antecedente de prematuridade de 34 semanas de gestação, devido a pré-eclâmpsia e trabalho de parto prematuro, tendo nascido com peso de 1.820 g, adequado para a idade gestacional. Nasceu bem, sem necessidade de manobras de reanimação, permaneceu internado por 15 dias para tratamento de icterícia por incompatibilidade ABO e para ganho de peso. Atualmente a criança tem estatura de 59 cm e peso de 4.700 g (ambos no percentil 50 pela idade gestacional corrigida), tendo ganhado 32 g por dia desde a última consulta. Alimenta-se de seio materno complementando com fórmula infantil adequada para idade (30 mL, 7 vezes ao dia). Nega intercorrências desde o nascimento. Na semana passada, colheu hemograma que veio com Hb 10,0 g/dL, Ht 30,0%, VCM 82 fl, RDW 14,1%, com leucócitos e plaquetas sem alterações. Tendo em vista os dados apresentados, qual a recomendação da diretriz mais recente de Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP – 2018) sobre o uso de sulfato ferroso para este paciente?
Prematuro < 37 semanas ou < 2500g → profilaxia ferro 2 mg/kg/dia até 1 ano de idade corrigida.
Lactentes prematuros, especialmente aqueles com baixo peso ao nascer, têm reservas de ferro reduzidas e maior risco de anemia ferropriva. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda a profilaxia com sulfato ferroso na dose de 2 mg/kg/dia até 1 ano de idade corrigida, independentemente da alimentação (leite materno ou fórmula).
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum na infância, com alta prevalência em lactentes, especialmente os prematuros. Estes últimos são particularmente vulneráveis devido às menores reservas de ferro ao nascimento (a maior parte da transferência placentária ocorre no terceiro trimestre) e ao rápido crescimento pós-natal, que demanda grande quantidade de ferro para a eritropoiese e o desenvolvimento neurológico. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) de 2018 enfatizam a importância da profilaxia com sulfato ferroso em lactentes prematuros. A recomendação é iniciar a suplementação a partir do 30º dia de vida, na dose de 2 mg/kg/dia, e mantê-la até que a criança complete 1 ano de idade corrigida. Esta medida é crucial para prevenir a anemia ferropriva e suas consequências no desenvolvimento neuropsicomotor. É importante notar que a profilaxia é indicada independentemente do tipo de alimentação (leite materno exclusivo ou complementado com fórmula infantil), pois as necessidades de ferro dos prematuros são elevadas e podem não ser totalmente supridas apenas pela dieta. O acompanhamento do hemograma é fundamental para monitorar a resposta e ajustar a dose, se necessário, mas a profilaxia não deve ser atrasada aguardando o surgimento da anemia.
Prematuros nascem com menores reservas de ferro devido à interrupção precoce da transferência placentária no terceiro trimestre. Além disso, têm um rápido crescimento pós-natal, que aumenta a demanda por ferro.
A SBP (2018) recomenda sulfato ferroso na dose de 2 mg/kg/dia para prematuros (nascidos < 37 semanas ou com peso < 2500g) a partir do 30º dia de vida até 1 ano de idade corrigida, independentemente do tipo de aleitamento.
Não. Embora as fórmulas infantis sejam enriquecidas com ferro, a quantidade pode não ser suficiente para atender às elevadas necessidades dos prematuros, que já nascem com reservas reduzidas. A suplementação é recomendada mesmo com fórmula.
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