Anemia Ferropriva em Lactentes: Diagnóstico e Causas

HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2015

Enunciado

Uma criança do sexo feminino, de 11 meses de idade, é levada ao pediatra por falta de apetite e palidez. História de prematuridade e aleitamento materno exclusivo até os 2 meses de idade, sendo então introduzido leite de vaca. Sem icterícia neonatal. Hemograma: hemoglobina = 7,1 g/dl; hematócrito = 21%; VCM = 55 fl; reticulócitos = 0.5%; leucócitos = 6000/mm³; plaquetas 700.000/mm³. Assinale a hipótese diagnóstica mais provável e os exames necessários para a confirmação:

Alternativas

  1. A) Esferocitose - fragilidade osmótica.
  2. B) Anemia ferropriva - eletroforese de hemoglobina.
  3. C) Talassemia - dosagem de hemoglobina fetal.
  4. D) Deficiência de G6PD - dosagem de G6PD.
  5. E) Anemia ferropriva - dosagem de ferro sérico e ferritina.

Pérola Clínica

Lactente + Palidez + VCM ↓ + Reticulócitos ↓ + Leite de vaca precoce → Anemia Ferropriva. Confirmar com Ferritina.

Resumo-Chave

A anemia microcítica e hipoproliferativa em um lactente com história de prematuridade e introdução precoce de leite de vaca é altamente sugestiva de anemia ferropriva. A dosagem de ferro sérico e, principalmente, ferritina sérica são os exames confirmatórios essenciais.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum em crianças, especialmente em lactentes e pré-escolares, e representa um sério problema de saúde pública devido ao seu impacto no desenvolvimento cognitivo e motor. Em lactentes, fatores de risco incluem prematuridade (menores reservas de ferro ao nascimento), baixo peso ao nascer, aleitamento materno exclusivo prolongado sem suplementação de ferro após os 6 meses, e, crucialmente, a introdução precoce e excessiva de leite de vaca antes do primeiro ano de vida. O diagnóstico da anemia ferropriva baseia-se na história clínica (palidez, irritabilidade, falta de apetite, pica) e nos exames laboratoriais. O hemograma revela anemia microcítica (VCM baixo) e hipocrômica (HCM baixo), com reticulócitos geralmente baixos ou normais, indicando uma resposta medular inadequada. A confirmação é feita pela dosagem de ferro sérico (baixo), capacidade total de ligação do ferro (TIBC) (elevada) e, principalmente, ferritina sérica (baixa), que reflete as reservas de ferro do organismo. O tratamento consiste na suplementação oral de ferro, com doses ajustadas ao peso da criança, e na correção dos fatores etiológicos, como a retirada do leite de vaca e a introdução de uma dieta rica em ferro. A resposta ao tratamento é monitorada pelo aumento da hemoglobina e VCM, e pela normalização da ferritina. A prevenção é fundamental, incluindo o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, introdução de alimentos ricos em ferro a partir dos 6 meses e, em grupos de risco, suplementação profilática de ferro.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais típicos da anemia ferropriva em lactentes?

A anemia ferropriva é caracterizada por hemoglobina baixa, VCM reduzido (microcitose), reticulócitos baixos ou normais (hipoproliferação) e, frequentemente, plaquetas elevadas.

Por que a introdução precoce de leite de vaca é um fator de risco para anemia ferropriva?

O leite de vaca possui baixo teor de ferro e sua ingestão excessiva pode causar micro-sangramentos intestinais, levando à perda crônica de ferro e deficiência em lactentes.

Qual o exame mais sensível para confirmar a deficiência de ferro?

A ferritina sérica é o marcador mais sensível e específico para avaliar as reservas de ferro do organismo, sendo o primeiro a diminuir na deficiência de ferro.

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