SISE-SUS/TO - Sistema de Saúde do Tocantins — Prova 2015
Pré-escolar de 6 anos, sexo masculino, previamente hígido, é levado à consulta com o médico para avaliação periódica da saúde. A mãe informa que a criança ficou "ruim para comer" após episódio de síndrome gripal há 2 meses. Encontra-se preocupada porque o filho está muito pálido e uma amiga disse que pode ser anemia. Relata ser cuidadosa com a alimentação de seu filho, oferecendo leite, 2 vezes ao dia, sucos naturais várias vezes ao dia, frutas de sobremesa, almoço e jantar com todos os grupos de alimentos preconizados para uma alimentação saudável. A criança fez uso de suplementação medicamentosa de ferro de 6 meses a 18 meses de idade, apresenta cartão de vacina atualizado e exame físico normal. Assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada a ser tomada pelo médico:
Palidez + inapetência em pré-escolar com dieta inadequada → aconselhamento dietético antes de exames, se EF normal.
Em crianças com queixas de palidez e inapetência, mas com exame físico normal, a história alimentar detalhada é crucial. Dietas ricas em leite e sucos podem ser deficientes em ferro ou inibir sua absorção. O aconselhamento dietético focado em alimentos ricos em ferro e redução de inibidores é a conduta inicial mais adequada antes de solicitar exames laboratoriais, especialmente se não houver sinais de gravidade.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum na infância, com alta prevalência em pré-escolares, especialmente em países em desenvolvimento. É uma condição de saúde pública importante, pois afeta o desenvolvimento cognitivo, motor e o sistema imunológico da criança. A anamnese detalhada, incluindo a história alimentar, é a ferramenta mais valiosa na suspeita diagnóstica. A fisiopatologia da anemia ferropriva em crianças frequentemente se relaciona a uma ingestão inadequada de ferro, seja por dietas pobres em alimentos ricos em ferro heme (carnes) ou por consumo excessivo de alimentos que inibem sua absorção (como leite e alguns sucos). A inapetência e a palidez são sintomas comuns, mas inespecíficos. O exame físico, se normal, pode tranquilizar inicialmente, mas não exclui a deficiência de ferro. O tratamento e a prevenção da anemia ferropriva envolvem principalmente a educação nutricional e, quando necessário, a suplementação de ferro. Para residentes, é crucial saber orientar os pais sobre uma dieta equilibrada, a importância de alimentos ricos em ferro, a limitação de leite e sucos em excesso, e a necessidade de vitamina C para a absorção. A solicitação de exames laboratoriais deve ser racionalizada, baseada na avaliação clínica e na resposta às intervenções iniciais, evitando exames desnecessários e focando na abordagem mais custo-efetiva e benéfica para a criança.
Alimentos ricos em ferro incluem carnes vermelhas, frango, peixe, feijão, lentilha, vegetais de folhas verde-escuras e cereais fortificados. A vitamina C (presente em frutas cítricas) deve ser oferecida junto com as refeições para otimizar a absorção de ferro.
O leite, especialmente em grandes volumes, pode preencher o estômago da criança, diminuindo o apetite para alimentos ricos em ferro. Além disso, o cálcio presente no leite pode inibir a absorção de ferro não-heme. Sucos, mesmo naturais, podem ser ricos em açúcares e também contribuir para a saciedade, reduzindo a ingestão de alimentos sólidos nutritivos.
Exames laboratoriais como hemograma completo são indicados se houver sinais clínicos claros de anemia, falha na resposta ao aconselhamento dietético, ou se a história clínica e alimentar sugerirem outras causas de anemia além da ferropriva. O rastreio universal de anemia é recomendado em idades específicas, como aos 6 e 12 meses.
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