UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2021
Criança de 2 anos de idade é levada ao consultório médico, pois, durante uma reunião, familiares questionaram sobre a palidez cutânea da criança. Mãe refere não ter percebido isso anteriormente. Nega febre, nega perdas de sangue e sem outras queixas. Aceita poucos alimentos sólidos, tomando cerca de 8 mamadeiras de 240 ml de leite integral com café. Exame físico identifica apenas palidez cutânea, anictérica, sem outras alterações. Quanto ao resultado laboratorial mais provável, assinale a alternativa correta.
Criança com palidez + dieta rica em leite/café → Anemia ferropriva (hipocrômica, microcítica, ferritina/saturação transferrina ↓).
A palidez cutânea em criança com dieta inadequada, rica em leite integral e café (que inibem a absorção de ferro), é altamente sugestiva de anemia ferropriva. Os achados laboratoriais típicos são anemia hipocrômica e microcítica, com ferritina e saturação de transferrina baixas, refletindo a depleção dos estoques de ferro.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando predominantemente crianças e mulheres em idade fértil. Em crianças, a prevalência é alta, especialmente em países em desenvolvimento, e está associada a impactos negativos no desenvolvimento cognitivo, motor e imunológico. A importância clínica reside na necessidade de diagnóstico e tratamento precoces para minimizar sequelas a longo prazo. A palidez cutânea é um sinal tardio, indicando anemia já estabelecida. A fisiopatologia da anemia ferropriva decorre da ingestão insuficiente de ferro, absorção inadequada ou perda excessiva de sangue. Em crianças, a dieta é um fator crucial; o consumo excessivo de leite de vaca (que tem baixo teor de ferro e pode causar micro-hemorragias intestinais) e a baixa ingestão de alimentos ricos em ferro são causas comuns. O café, por conter taninos, inibe a absorção de ferro. Laboratorialmente, caracteriza-se por anemia microcítica e hipocrômica, com ferritina sérica (estoques de ferro) e saturação de transferrina (transporte de ferro) baixas. O tratamento envolve a suplementação de ferro oral, preferencialmente sulfato ferroso, e a orientação dietética para aumentar a ingestão de alimentos ricos em ferro e vitamina C (que melhora a absorção) e reduzir o consumo de inibidores. A resposta ao tratamento é monitorada por hemograma e reticulócitos. A prevenção é fundamental e inclui aleitamento materno exclusivo até os seis meses, introdução alimentar adequada e, se necessário, suplementação profilática de ferro.
Os sinais e sintomas incluem palidez cutânea e de mucosas, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, pica (desejo por substâncias não alimentares) e, em casos graves, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor.
Dietas pobres em ferro heme (carnes vermelhas) e ricas em inibidores da absorção de ferro (como taninos do café, fitatos de cereais integrais e cálcio do leite em excesso) podem levar à deficiência de ferro. O consumo excessivo de leite pode também causar micro-hemorragias intestinais.
Além do hemograma com anemia hipocrômica e microcítica, a confirmação é feita por exames que avaliam os estoques de ferro: ferritina sérica baixa (principal marcador), saturação de transferrina baixa e ferro sérico baixo.
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