Anemia Ferropriva na Infância: Tratamento e Doses Corretas

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Menina de 2 anos e 6 meses é atendida em uma unidade básica de saúde (UBS). A mãe relata que a criança consome cerca de um litro de leite de vaca por dia e ingere pouca carne. O médico observa palidez cutaneomucosa e solicita exames. Os resultados são apresentados a seguir. O médico inicia tratamento com ferro elementar na dose de 2 mg/kg/dia. Após 3 meses, exames foram repetidos, conforme tabela a seguir. Com relação ao tratamento e à conduta desse paciente é correto afirmar que a

Alternativas

  1. A) resposta é a esperada para o tratamento; devendo-se manter o tratamento atual por mais 3 meses e reavaliar laboratorialmente.
  2. B) resposta à administração de ferro oral é resistente; devese repor com ferro endovenoso e investigar a má absorção por doença celíaca.
  3. C) falha terapêutica é sugestiva de outra causa da anemia microcítica; deve-se considerar hipótese de traço talassêmico e encaminhar a paciente para hematologista.
  4. D) falha terapêutica deve-se a persistência de fatores de risco relacionados à alimentação e à subdose de ferro elementar; deve-se aumentar a dose e orientar a alimentação.

Pérola Clínica

Falha no tratamento da anemia ferropriva em criança? Checar dose (terapêutica = 3-5 mg/kg/dia) e consumo excessivo de leite de vaca (>700ml/dia).

Resumo-Chave

A principal causa de falha terapêutica na anemia ferropriva infantil é a subdose de ferro elementar e a manutenção dos fatores de risco dietéticos. A dose de 2 mg/kg/dia é profilática; a dose de tratamento é de 3 a 5 mg/kg/dia, associada à orientação para reduzir o consumo de leite e aumentar a ingestão de alimentos ricos em ferro.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum na infância, especialmente entre 6 meses e 2 anos de idade. Nessa fase, os estoques de ferro do nascimento se esgotam e a demanda metabólica é alta devido ao crescimento rápido, enquanto a dieta de transição pode não suprir as necessidades de ferro. O principal fator de risco dietético é o consumo excessivo de leite de vaca não fortificado e a baixa ingestão de alimentos ricos em ferro heme (carnes) e não heme (feijão, vegetais verde-escuros). O diagnóstico é laboratorial, com hemograma mostrando anemia microcítica e hipocrômica, e a confirmação é feita com a cinética do ferro (ferritina baixa, TIBC alto). O tratamento de primeira linha é a reposição com ferro oral na dose de 3 a 5 mg/kg/dia de ferro elementar. A resposta inicial esperada é a crise reticulocitária em 7-10 dias e um aumento de 1g/dL na hemoglobina após 30 dias. A falha terapêutica deve levar à investigação de má adesão, dose incorreta, persistência da causa base (dieta inadequada) ou, mais raramente, má absorção (doença celíaca) ou outras causas de anemia.

Perguntas Frequentes

Quais os achados laboratoriais típicos da anemia ferropriva?

Os achados incluem hemoglobina (Hb) e volume corpuscular médio (VCM) baixos, caracterizando uma anemia microcítica. O RDW (índice de anisocitose) costuma estar elevado, a ferritina sérica está baixa (refletindo os estoques de ferro) e a capacidade total de ligação do ferro (TIBC) está aumentada.

Qual a dose correta de ferro elementar para tratar anemia ferropriva em crianças?

A dose terapêutica recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria é de 3 a 5 mg/kg/dia de ferro elementar, dividida em 1 a 2 tomadas diárias. O tratamento deve ser mantido por 3 a 6 meses após a normalização da hemoglobina para repor os estoques de ferro.

Por que o consumo excessivo de leite de vaca causa anemia ferropriva?

O leite de vaca é pobre em ferro e sua absorção é baixa. O consumo em grande volume (>700 mL/dia) sacia a criança, diminuindo a aceitação de alimentos ricos em ferro (efeito anorético). Além disso, pode causar micro-sangramentos no trato gastrointestinal, contribuindo para a perda de ferro.

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