USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Pré-escolar, dois anos e dois meses, sexo masculino, é levado à consulta devido a quadro de palidez cutâneo-mucosa e hipoatividade. Anamnese nutricional: aleitamento materno por 2 meses e atualmente quatro a cinco mamadeiras de leite de vaca integral ao dia, almoço e jantar: arroz, feijão, legumes e verduras com ingestão de carne vermelha 1x/dia, fruta 1x/dia e uso de bolacha ou pão – 1 a 2x/dia.Exame físico: sobrepeso, hipocorado +3/4+, sem outras anormalidades.Solicitados exames complementares que mostraram:Hemoglobina 5,5 g/dl, VCM: 52 (VN: 84-99), HCM: 16 (VN: 26-32), glóbulos brancos; 7.200/mm3,Plaquetas: 566.000/mm3RDW: 21% (VN: 11-14%)Saturação da transferrina: 6%, TIBC: 562 g/dl (VN: 250-400 g/dl).Qual é a conduta mais adequada ao caso?
Anemia microcítica hipocrômica + baixa ingestão de ferro + Hb 5,5 → Anemia Ferropriva Grave. Conduta: Sulfato ferroso + dieta.
O quadro clínico e laboratorial (anemia microcítica e hipocrômica, VCM e HCM baixos, RDW elevado, saturação de transferrina muito baixa e TIBC elevado) são altamente sugestivos de anemia ferropriva grave. A história dietética com consumo excessivo de leite de vaca e baixa ingestão de carne vermelha corrobora o diagnóstico. A conduta inicial é a reposição oral de ferro e orientação nutricional.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum em crianças, especialmente em pré-escolares, e uma importante causa de morbidade global. É caracterizada pela diminuição da hemoglobina devido à deficiência de ferro, essencial para a eritropoiese e para o desenvolvimento neurocognitivo. A prevalência é alta em regiões com acesso limitado a alimentos ricos em ferro. O diagnóstico é baseado na história clínica (ingestão inadequada de ferro, sangramentos), exame físico (palidez, hipoatividade, irritabilidade) e exames laboratoriais. A anemia ferropriva clássica apresenta-se como microcítica e hipocrômica, com VCM e HCM baixos, RDW elevado, ferritina sérica e saturação de transferrina diminuídas, e TIBC aumentado, como visto no caso. A conduta mais adequada para a anemia ferropriva é a reposição oral de ferro, geralmente com sulfato ferroso, por um período de 3 a 6 meses para repor os estoques. A orientação dietética é fundamental, incentivando o consumo de alimentos ricos em ferro (carnes vermelhas, feijão, vegetais verde-escuros) e evitando o consumo excessivo de leite de vaca. A transfusão é reservada para casos de anemia muito grave com instabilidade hemodinâmica ou descompensação orgânica.
Os critérios incluem hemoglobina baixa, VCM e HCM reduzidos (microcitose e hipocromia), RDW elevado, ferritina sérica baixa, saturação de transferrina baixa e TIBC elevado. A resposta ao tratamento com ferro também é um forte indicativo diagnóstico.
O leite de vaca integral é pobre em ferro e, em grandes volumes, pode inibir a absorção de ferro de outros alimentos devido ao seu alto teor de cálcio e caseína. Além disso, pode causar micro-hemorragias gastrointestinais em alguns lactentes, exacerbando a perda de ferro.
A transfusão é indicada em casos de anemia muito grave (Hb < 4 g/dL), instabilidade hemodinâmica, insuficiência cardíaca, ou quando há necessidade de correção rápida da anemia devido a cirurgia ou infecção grave, o que não se aplica a este caso de hipoatividade sem descompensação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo