UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2025
Uma criança de 2 anos e meio é levada à consulta pelos pais, que relatam notar a criança pálida e indisposta. A criança apresenta baixo apetite e demonstra pouco interesse por brincadeiras cotidianas. A mãe relata que a criança sempre teve uma alimentação seletiva, com baixa ingestão de carnes vermelhas e vegetais verde-escuros, preferindo alimentos como leite de vaca e biscoitos. A criança não está mais em aleitamento materno desde os 9 meses de idade, e já teve anemia ferropriva há cerca de 1 ano, tratada de modo satisfatório com suplementação de ferro oral. Um hemograma atual revela Hemoglobina: 9,5 g/dL (referência: 11-13 g/dL), Volume Corpuscular Médio: 70 fL (referência: 75-87 fL), Hemoglobina Corpuscular Média: 25 pg (referência: 27-31 pg), Ferritina: 10 ng/mL (referência: 12- 30 ng/mL). Além do tratamento medicamentoso com suplementação de ferro, qual das seguintes orientações alimentares seria a mais eficaz para otimizar a absorção do ferro presente na dieta da criança?
Anemia ferropriva: Otimizar absorção de ferro → EVITAR cálcio (leite) nas refeições ricas em ferro. Vitamina C AUMENTA absorção de ferro não-heme.
Na anemia ferropriva, além da suplementação, a orientação dietética é vital. É crucial entender os fatores que inibem e promovem a absorção de ferro. O cálcio é um potente inibidor da absorção de ferro, tanto heme quanto não-heme, sendo importante evitar sua ingestão concomitante com fontes de ferro.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum em crianças, com prevalência significativa em países em desenvolvimento. Caracteriza-se pela redução dos estoques de ferro no organismo, levando à diminuição da produção de hemoglobina e, consequentemente, à anemia microcítica e hipocrômica. A etiologia é multifatorial, envolvendo baixa ingestão de ferro, aumento das necessidades (crescimento rápido), perdas sanguíneas e má absorção. O diagnóstico é confirmado por hemograma e ferritina sérica. A fisiopatologia da anemia ferropriva reside na insuficiência de ferro para a eritropoiese. O tratamento envolve suplementação de ferro oral e, crucialmente, orientações dietéticas. A absorção de ferro é um processo complexo influenciado por diversos fatores. O ferro heme, presente em produtos de origem animal, é mais facilmente absorvido. Já o ferro não-heme, de origem vegetal, tem sua absorção modulada por promotores (como a vitamina C) e inibidores (como cálcio, fitatos, polifenóis). Para otimizar a absorção de ferro na dieta, é fundamental orientar os pais a combinar fontes de ferro não-heme com alimentos ricos em vitamina C (ex: feijão com suco de laranja) e, principalmente, evitar a ingestão concomitante de alimentos ricos em cálcio (leite e derivados) com as refeições principais, pois o cálcio compete diretamente com o ferro pela absorção intestinal. A educação nutricional é um pilar no manejo e prevenção da anemia ferropriva em pediatria, complementando a terapia medicamentosa.
Alimentos ricos em cálcio (leite e derivados), fitatos (cereais integrais, leguminosas) e polifenóis (chá, café, espinafre) são os principais inibidores da absorção de ferro, especialmente o não-heme.
O ácido ascórbico (vitamina C) é um potente promotor da absorção de ferro não-heme, ao reduzir o ferro férrico (Fe³⁺) a ferro ferroso (Fe²⁺), forma mais facilmente absorvível no intestino.
O ferro heme, encontrado em carnes vermelhas, aves e peixes, tem alta biodisponibilidade e é menos afetado por inibidores dietéticos. O ferro não-heme, presente em vegetais, leguminosas e cereais, tem menor biodisponibilidade e é mais influenciado por promotores e inibidores.
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