Anemia Ferropriva em Lactentes: Suplementação e Dieta

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2015

Enunciado

Amanda, 7 anos de idade, nascida de parto normal a termo, pesando 3.250 g, esteve em aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e continuará a ser amamentada na fase de transição alimentar. Mãe vem ao pediatra para orientação quanto à dieta e questiona sobre a necessidade de reposição de ferro. Sobre anemia ferropriva, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Os estoques de ferro dessa criança devem começar a cair, mas o leite materno ainda será a principal fonte desse micronutriente até os 2 anos de idade, uma vez que continuará a ser amamentada e não é necessária, neste caso, a reposição. 
  2. B) O ferro não heme, presente em alimentos de origem vegetal, apresenta baixa biodisponibilidade e tem sua absorção dificultada pelos fitatos, tanino e cálcio e facilitada pelo ácido ascórbico.
  3. C) Está indicada a reposição profilática de ferro que deve ser realizada com 1 mg de ferro elementar/kg/dia até 12 meses de idade.
  4. D) Esse lactente por ter sido amamentado exclusivamente até os 6 meses não necessitará de suplementação de ferro, independentemente de continuar recebendo leite materno.
  5. E) A profilaxia da anemia com o ferro elementar está indicada, apenas, se houver história de prematuridade.

Pérola Clínica

Ferro não heme: baixa biodisponibilidade, absorção ↑ por vit C, ↓ por fitatos/tanino/cálcio.

Resumo-Chave

A biodisponibilidade do ferro é crucial na dieta infantil. O ferro não heme, presente em vegetais, tem absorção complexa, sendo facilitada pela vitamina C e inibida por componentes como fitatos e cálcio, o que é relevante na diversificação alimentar.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum em crianças, com alta prevalência global e impacto significativo no desenvolvimento neuropsicomotor. Em lactentes, a principal causa é a inadequação da ingestão de ferro na dieta, especialmente após os 6 meses de idade, quando os estoques de ferro acumulados no período fetal começam a se esgotar e o leite materno, embora excelente fonte nutricional, não supre as necessidades crescentes de ferro. A fisiopatologia envolve a depleção dos estoques de ferro, levando à diminuição da produção de hemoglobina e, consequentemente, à anemia. O diagnóstico é feito por exames laboratoriais, como hemograma completo (hemoglobina, VCM, HCM) e ferritina sérica. A suspeita deve surgir em crianças com fatores de risco, como baixo peso ao nascer, prematuridade, aleitamento materno exclusivo prolongado sem suplementação, ou introdução tardia/inadequada de alimentos ricos em ferro. O tratamento e a profilaxia da anemia ferropriva são fundamentais. A profilaxia inclui a suplementação de ferro elementar (geralmente 1 mg/kg/dia para lactentes a termo) e a introdução de alimentos ricos em ferro (carnes, leguminosas, vegetais verde-escuros) na dieta de transição alimentar, a partir dos 6 meses. É crucial orientar os pais sobre a importância da vitamina C para otimizar a absorção do ferro não heme e evitar o consumo concomitante de inibidores como chá e café.

Perguntas Frequentes

Quando iniciar a suplementação de ferro em lactentes amamentados?

A suplementação profilática de ferro deve ser iniciada a partir dos 3-6 meses em lactentes a termo e peso adequado, mesmo em aleitamento materno exclusivo, devido à depleção dos estoques de ferro e à baixa concentração no leite materno.

Quais fatores afetam a absorção do ferro não heme?

A absorção do ferro não heme é facilitada pelo ácido ascórbico (vitamina C) e dificultada por substâncias como fitatos (cereais, leguminosas), taninos (chá, café) e cálcio (leite e derivados).

Qual a dose recomendada de ferro elementar para profilaxia?

Para lactentes a termo e peso adequado, a dose profilática de ferro elementar é geralmente de 1 mg/kg/dia, a partir dos 3-6 meses, até os 2 anos de idade, conforme orientação pediátrica.

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