HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020
Lactente masculino, 1 ano e 2 meses, previamente hígido, em consulta de puericultura. Mãe traz a queixa de que seu filho come mal e que está abaixo do peso. No diário alimentar, é visto que o paciente consome 1 litro de leite de vaca por dia, não come legumes e verduras, preferindo os tubérculos e cereais no lugar das carnes. Nos antecedentes pessoais, não há nada digno de nota, com exceção da interrupção do aleitamento materno aos 2 meses de vida. A criança não aceita o sulfato ferroso prescrito pelo pediatra, somente recebe vitamina A + D. Ao exame clínico: BEG, descorado +/4+, hidratado, sem alterações nos demais aparelhos. Peso entre Z -2 e Z -3 (OMS), estatura entre Z -1 e Z -2 (OMS), IMC e peso/estatura entre Z -1 e -2 (OMS). Para o caso em questão, foram coletados exames com os seguintes resultados: Hb = 9,8 g/dL; Hematócrito = 31%; VCM = 73 fL; RDW = 20%; Leucócitos = 8.000/mm³; Plaquetas = 700 mil/µL; Ferritina = 5 ng/mL. Considerando as principais hipóteses diagnósticas, quais deveriam ser as intervenções realizadas para este paciente? [Valores de referência: Hb 10,3 - 13,7 g/dL; Ht 34 - 48%; VCM 80 - 114 fL; RDW 11,6 - 14,8%; Leucócitos 6000 - 17000/mm³; Plaquetas 150 - 450 mil/µL; Ferritina 20 - 200 ng/mL]
Anemia ferropriva em lactentes: dieta inadequada + excesso leite vaca → ferro oral 3-5 mg/kg/dia + ajuste alimentar.
O caso descreve um lactente com anemia microcítica hipocrômica (VCM baixo, RDW alto, ferritina muito baixa) e trombocitose reativa, classicamente associada à deficiência de ferro. A ingestão excessiva de leite de vaca e a dieta pobre em ferro heme e vegetais são as causas principais, exigindo correção dietética e suplementação adequada de ferro.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum na infância, afetando principalmente lactentes e pré-escolares. Sua prevalência é alta em países em desenvolvimento e está associada a desfechos negativos no desenvolvimento cognitivo e motor. É crucial reconhecer os fatores de risco, como desmame precoce, dieta inadequada e consumo excessivo de leite de vaca. O diagnóstico é feito pela história clínica, exame físico (palidez) e exames laboratoriais. Hemograma revela anemia microcítica e hipocrômica (VCM e HCM baixos), RDW elevado e, em casos graves, trombocitose reativa. A ferritina sérica é o melhor marcador de estoque de ferro, estando muito baixa na deficiência. É importante diferenciar de outras anemias microcíticas, como talassemias. O tratamento envolve a correção da causa subjacente, como a modificação da dieta com redução do leite de vaca e aumento de alimentos ricos em ferro (carnes, feijão, vegetais verde-escuros), e a suplementação de ferro elementar na dose terapêutica de 3 a 5 mg/kg/dia. A resposta é monitorada pelo aumento da hemoglobina e reticulócitos, e a suplementação deve ser mantida por pelo menos 3 meses após a normalização da hemoglobina para repor os estoques.
Os principais sinais incluem palidez cutaneomucosa, irritabilidade, fadiga e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Em casos graves, pode haver pica e geofagia.
A dose terapêutica de ferro elementar para anemia ferropriva em crianças é de 3 a 5 mg/kg/dia, dividida em 1 a 2 tomadas, preferencialmente longe das refeições e com vitamina C.
O leite de vaca é pobre em ferro e, quando consumido em grandes volumes, pode deslocar a ingestão de alimentos ricos em ferro, além de conter cálcio e fosfatos que inibem a absorção de ferro não-heme.
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