UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2025
Lactente de 11 meses, sexo feminino, foi atendida no serviço de ambulatório pois a mãe queixa quadro de irritabilidade, anorexia, letargia e palidez. Ao exame, observamos palidez nas palmas das mãos, nos vincos palmares, nas unhas e na conjuntiva. Tem exames laboratoriais com os seguintes resultados: hemoglobina 9 g/dL; VCM < 70 mg/L; saturação da transferrina < 16%, RDW aumentado e ferritina sérica diminuída. Qual o diagnóstico desta anemia?
Lactente com palidez + anemia microcítica (VCM ↓) com anisocitose (RDW ↑) e estoques de ferro baixos (ferritina ↓) = Anemia ferropriva.
A anemia ferropriva é a principal hipótese em um lactente com anemia microcítica. O RDW aumentado reflete a grande variação no tamanho das hemácias (anisocitose), um achado característico, enquanto a ferritina baixa confirma a depleção dos estoques de ferro.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais prevalente na infância, especialmente entre 6 e 24 meses de idade. Nessa fase, a rápida velocidade de crescimento aumenta a demanda por ferro, que muitas vezes não é suprida pela dieta, principalmente após o esgotamento das reservas de ferro adquiridas durante a gestação. Fisiopatologicamente, a deficiência de ferro leva a uma eritropoese ineficaz. Inicialmente, os estoques de ferro (ferritina) são depletados. Com a progressão, o ferro sérico diminui e a transferrina aumenta, resultando em baixa saturação. Finalmente, a síntese de hemoglobina é prejudicada, levando a uma anemia caracteristicamente microcítica (VCM baixo) e hipocrômica (HCM baixo). O RDW se eleva precocemente, indicando anisocitose. O diagnóstico é baseado na combinação de achados clínicos de anemia e confirmação laboratorial. O tratamento com reposição de ferro oral é eficaz e deve ser acompanhado de orientação nutricional para prevenir recorrências. A profilaxia com ferro suplementar é uma importante medida de saúde pública para lactentes em risco.
Os achados clínicos incluem palidez cutâneo-mucosa (especialmente nas palmas das mãos e conjuntivas), irritabilidade, anorexia, apatia e, em casos mais graves, taquicardia e sopro cardíaco. Pode haver também atraso no desenvolvimento neuropsicomotor.
O tratamento consiste na reposição de ferro oral, geralmente com sulfato ferroso na dose de 3 a 5 mg/kg/dia de ferro elementar, por um período de 3 a 6 meses ou até a normalização dos estoques de ferro (ferritina), além de orientação dietética.
Na anemia ferropriva, a ferritina (estoque de ferro) está baixa e a capacidade total de ligação do ferro (TIBC) está alta. Na anemia de doença crônica, a ferritina está normal ou alta (reagente de fase aguda) e o TIBC está baixo, refletindo um bloqueio na utilização do ferro.
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