Anemia Ferropriva em Lactentes: Diagnóstico e Tratamento

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015

Enunciado

Lactente de 9 meses, do sexo masculino, compareceu em consulta de rotina com alimentação complementar adequada para a idade. Até os 5 meses, recebeu aleitamento materno exclusivo com bom ganho pôndero-estatural, vacinação adequada e desenvolvimento neuropsicomotor adequado. Nesta consulta a mãe traz hemograma, com o seguinte resultado: Hemoglobina 9.5 g/dl; Hematócrito 32%, Volume corpuscular médio 68fL e RDW (red blood cell distribution width) 16% e demais parâmetros dentro da normalidade. Sem queixas atuais.Qual diagnóstico?Qual tratamento e dosagem?

Alternativas

Pérola Clínica

Lactente > 6 meses com Hb < 11 g/dL, VCM ↓ e RDW ↑, sem queixas = Anemia Ferropriva. Tto: Sulfato Ferroso 3-5 mg/kg/dia.

Resumo-Chave

O quadro clínico de um lactente de 9 meses com hemoglobina de 9.5 g/dL, VCM de 68 fL (microcitose) e RDW de 16% (anisocitose), sem queixas, é altamente sugestivo de anemia ferropriva. O tratamento consiste na suplementação de sulfato ferroso, geralmente na dose de 3 a 5 mg/kg/dia de ferro elementar, por pelo menos 3 meses.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum na infância, especialmente em lactentes entre 6 e 24 meses de idade. Ela ocorre quando a ingestão ou absorção de ferro é insuficiente para suprir as necessidades do organismo, levando à diminuição da produção de hemoglobina. Os fatores de risco incluem baixo peso ao nascer, prematuridade, desmame precoce, introdução tardia ou inadequada de alimentos ricos em ferro e perdas sanguíneas. O diagnóstico é baseado no hemograma, que tipicamente revela hemoglobina baixa, volume corpuscular médio (VCM) diminuído (microcitose) e amplitude de distribuição dos glóbulos vermelhos (RDW) aumentada (anisocitose). A ferritina sérica é o melhor indicador dos estoques de ferro, estando diminuída na deficiência. Mesmo em casos assintomáticos, a anemia ferropriva pode comprometer o desenvolvimento neuropsicomotor, a função imune e o crescimento da criança. O tratamento consiste na suplementação oral de ferro, preferencialmente sulfato ferroso, na dose de 3 a 5 mg/kg/dia de ferro elementar, por pelo menos 3 meses. A resposta ao tratamento é monitorada com um novo hemograma após 30 dias (reticulócitos e aumento da Hb) e, posteriormente, para confirmação da cura e reposição dos estoques. A prevenção é crucial e inclui o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, introdução de alimentos ricos em ferro na alimentação complementar e, em alguns casos, suplementação profilática de ferro.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos de anemia ferropriva em lactentes?

Em lactentes de 6 a 24 meses, a anemia é definida por hemoglobina < 11 g/dL. A anemia ferropriva tipicamente apresenta microcitose (VCM baixo) e hipocromia, com RDW frequentemente elevado devido à anisocitose.

Qual a dosagem e duração do tratamento com sulfato ferroso para anemia ferropriva em lactentes?

O tratamento é feito com ferro elementar na dose de 3 a 5 mg/kg/dia, dividido em 1 ou 2 tomadas, por um período mínimo de 3 meses ou até a normalização dos estoques de ferro (ferritina).

Por que a anemia ferropriva é comum em lactentes, mesmo com aleitamento materno exclusivo?

Após os 6 meses, as reservas de ferro do nascimento se esgotam e o leite materno, embora excelente, não supre as necessidades crescentes de ferro. A introdução inadequada de alimentos ricos em ferro na alimentação complementar contribui para a deficiência.

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