Anemia Ferropriva em Lactentes: Diagnóstico com Saturação de Transferrina

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Menina, 6 meses, está internada na enfermaria para tratamento de pneumonia, em uso de antibioticoterapia com ampicilina há 3 dias. Está afebril há 12 horas. Ao exame físico: bom estado geral, com palidez cutânea, sem desconforto respiratório, FR 30 ipm. Ausculta pulmonar: murmúrio vesicular diminuído em base a D. Ausculta cardíaca: 2 BRNF sem sopros, FC 150 bpm, pulsos cheios, perfusão 2 segundos. PA 90 x 50 mmHg. Abdome: fígado e baço não palpáveis, RH+. AP: fez o uso de leite materno exclusivo e atualmente está na introdução de papa de frutas e legumes. Hemograma: Hb 8 g/dl, Ht 25%, HCM 18 pg, VCM 50 FI, RDW 20%, GB 10000, neutrófilos 65% (predomínio de segmentados), linfócitos 30%, monócitos 2%, eosinófilos 3%. Plaquetas 300.000. Qual o melhor exame para elucidar o diagnóstico nesta situação?

Alternativas

  1. A) VHS.
  2. B) Ferritina.
  3. C) Saturação de transferrina.
  4. D) Reticulócitos.

Pérola Clínica

Lactente 6m + palidez + VCM 50 + HCM 18 + RDW 20% → anemia ferropriva → Saturação de transferrina para diagnóstico.

Resumo-Chave

O quadro clínico e laboratorial (palidez, VCM e HCM baixos, RDW alto) em um lactente de 6 meses com dieta de transição sugere fortemente anemia ferropriva. A saturação de transferrina é um excelente marcador para confirmar a deficiência de ferro, refletindo a disponibilidade de ferro para a eritropoiese.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum em lactentes e crianças pequenas, especialmente entre 6 meses e 2 anos de idade. É caracterizada por uma redução na produção de hemoglobina devido à falta de ferro, essencial para a eritropoiese. O quadro clínico inclui palidez cutânea e de mucosas, irritabilidade, fadiga e, em casos graves, pode afetar o desenvolvimento neuropsicomotor. A história alimentar, como o uso exclusivo de leite materno prolongado sem suplementação ou introdução inadequada de alimentos ricos em ferro, é um fator de risco importante. Laboratorialmente, a anemia ferropriva é tipicamente microcítica (VCM baixo) e hipocrômica (HCM baixo), com anisocitose (RDW elevado). Para confirmar o diagnóstico e avaliar os estoques de ferro, são solicitados exames como ferro sérico, capacidade total de ligação do ferro (CTLF), saturação de transferrina e ferritina sérica. A ferritina é o melhor indicador dos estoques de ferro, mas pode estar falsamente elevada em processos inflamatórios ou infecciosos, como a pneumonia que a paciente apresentou. Nesse contexto, a saturação de transferrina (calculada como [ferro sérico / CTLF] x 100) torna-se um exame crucial. Ela reflete a disponibilidade de ferro para a medula óssea e é menos afetada pela inflamação aguda do que a ferritina. Uma saturação de transferrina abaixo de 16% é altamente sugestiva de deficiência de ferro. O tratamento consiste na suplementação de ferro oral, com acompanhamento laboratorial para verificar a resposta.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais típicos da anemia ferropriva em lactentes?

A anemia ferropriva em lactentes é caracterizada por anemia microcítica (VCM baixo) e hipocrômica (HCM baixo), com RDW geralmente elevado, indicando anisocitose.

Por que a saturação de transferrina é um bom exame para anemia ferropriva, especialmente em quadros infecciosos?

A saturação de transferrina reflete a proporção de transferrina ligada ao ferro e é um indicador sensível da disponibilidade de ferro. Diferente da ferritina, que é um reagente de fase aguda, a saturação de transferrina é menos influenciada por processos inflamatórios, tornando-a mais confiável em pacientes com infecção.

Qual o papel da ferritina no diagnóstico de anemia ferropriva e suas limitações?

A ferritina sérica é o principal marcador dos estoques de ferro. Níveis baixos indicam deficiência de ferro. No entanto, por ser uma proteína de fase aguda, seus níveis podem estar elevados em processos inflamatórios ou infecciosos, mascarando uma deficiência de ferro concomitante.

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