SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2020
Lactente masculino de 7 meses e 5 dias de vida, nascido a termo, é atendido pela primeira vez, no ambulatório de puericultura de um hospital de referência em Recife. A família mudou-se de uma cidade do interior para a capital, há poucos dias. No atendimento, além de questionar sobre o parto, alimentação, vacinação e desenvolvimento da criança, a médica pediatra percebeu anemia (2+/4+) como único achado significativo ao exame físico. Dados antropométricos ao nascimento: Peso: 2.750 g / Comprimento: 48 cm / Perímetro cefálico: 34 cm Dados antropométricos atuais: Peso e comprimento entre -1 e -2 DP das curvas da OMS de peso por idade em meninos e comprimento por idade em meninos, respectivamente. Na anamnese alimentar do lactente do caso clínico acima, a pediatra identificou que ele foi amamentado apenas nos primeiros 15 dias de vida, recebendo leite integral desde então, com adição de cereais. Até o momento, não tinha recebido orientações sobre a introdução do cardápio alimentar. Não está fazendo uso de nenhum suplemento. Genitora nega história de doenças hematológicas na família. Teste do pezinho normal. Diante da principal causa da anemia do menor em questão, o único resultado de exame que NÃO esperamos encontrar é o seguinte:
Anemia ferropriva em lactente: hepcidina ↓ para ↑ absorção de ferro. Níveis ↑ = anemia de doença crônica.
A anemia ferropriva é a principal causa de anemia em lactentes, frequentemente associada à introdução precoce de leite de vaca integral e/ou alimentação complementar inadequada. A hepcidina, um regulador central do metabolismo do ferro, tem seus níveis diminuídos na anemia ferropriva para promover a absorção intestinal de ferro e sua liberação dos estoques. Portanto, níveis aumentados de hepcidina não são esperados neste cenário, mas sim em anemias de doença crônica.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum na infância, especialmente em lactentes, com prevalência significativa no Brasil. É crucial para o desenvolvimento cognitivo e motor da criança, sendo uma condição que exige atenção dos pediatras. A etiologia mais comum é a ingestão inadequada de ferro, seja por amamentação exclusiva prolongada sem suplementação após os 6 meses, ou por introdução precoce de leite de vaca integral e alimentação complementar pobre em ferro. O diagnóstico precoce e o tratamento são fundamentais para evitar sequelas a longo prazo. O diagnóstico da anemia ferropriva baseia-se na história clínica, exame físico e exames laboratoriais. Além da hemoglobina baixa, outros marcadores importantes incluem ferritina sérica (estoques de ferro), saturação de transferrina, capacidade total de ligação do ferro (CTLF), zinco-protoporfirina eritrocitária livre (ZPEL) e receptores solúveis de transferrina (RsTf). A hepcidina, um peptídeo hepático, é um regulador negativo da absorção e liberação de ferro. Na anemia ferropriva, a hepcidina está diminuída para tentar aumentar a disponibilidade de ferro, enquanto na anemia de doença crônica, ela está aumentada, sequestrando o ferro e impedindo sua utilização. O tratamento envolve a suplementação de ferro oral e a orientação dietética, com foco na introdução adequada de alimentos ricos em ferro e na restrição do leite de vaca integral antes de 1 ano de idade. A prevenção é a melhor abordagem, com suplementação profilática de ferro conforme as diretrizes e promoção de uma alimentação saudável e equilibrada. A compreensão dos marcadores laboratoriais e da fisiopatologia é essencial para o manejo correto e para diferenciar a anemia ferropriva de outras causas de anemia.
Os principais sinais incluem palidez cutaneomucosa, fadiga, irritabilidade, taquicardia e, em casos graves, sopro cardíaco. Sintomas inespecíficos como atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e pica também podem estar presentes.
A hepcidina é crucial para diferenciar anemia ferropriva de anemia de doença crônica. Níveis baixos de hepcidina indicam deficiência de ferro, enquanto níveis elevados sugerem inflamação crônica, mesmo com estoques de ferro normais ou aumentados.
O leite integral é pobre em ferro e pode causar micro-sangramentos gastrointestinais em lactentes devido à imaturidade intestinal, levando à perda crônica de ferro. Além disso, a alta carga de solutos pode sobrecarregar os rins do bebê.
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