Anemia Ferropriva em Lactentes: Diagnóstico e Tratamento

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Lactente, 11 meses, apresenta-se com mucosas descoradas e palidez cutânea. Está inapetente e com geofagia. Dieta essencialmente láctea e baixa ingesta de alimentação sólida. Hb= 9,5 g/dL Htc= 29%; Reticulócitos= 1,7%; VCM= 62fl; HCM= 22pg; RDW= 18%; Ferritina= 8ng/mg. A CONDUTA É: 

Alternativas

  1. A) Investigar alergia à proteína do leite de vaca.
  2. B) Investigar parasitose.
  3. C) Solicitar eletroforese de hemoglobina.
  4. D) Prescrever sulfato ferroso.

Pérola Clínica

Lactente com dieta láctea exclusiva + geofagia + anemia microcítica/hipocrômica + ferritina baixa → Anemia Ferropriva = Sulfato Ferroso.

Resumo-Chave

A anemia ferropriva é comum em lactentes devido à rápida taxa de crescimento e dietas inadequadas, como o consumo excessivo de leite de vaca que inibe a absorção de ferro e tem baixo teor do mineral. Os exames laboratoriais clássicos incluem VCM e HCM baixos, RDW alto e ferritina sérica reduzida, confirmando o diagnóstico e indicando a necessidade de suplementação de ferro.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum na infância, afetando milhões de crianças globalmente, especialmente em países em desenvolvimento. Em lactentes, é frequentemente associada a dietas ricas em leite de vaca e pobres em ferro, além do rápido crescimento que demanda maior aporte do mineral. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para prevenir impactos negativos no desenvolvimento cognitivo e motor. Fisiopatologicamente, a deficiência de ferro leva à produção de hemácias menores e com menos hemoglobina, resultando em anemia microcítica e hipocrômica. A geofagia é um sintoma clássico e um indicador de deficiência de ferro. A avaliação laboratorial com hemograma completo, reticulócitos e, principalmente, ferritina sérica, é fundamental para confirmar o diagnóstico e diferenciar de outras anemias. A ferritina baixa é o marcador mais específico de depleção dos estoques de ferro. O tratamento consiste na suplementação de ferro por via oral, sendo o sulfato ferroso a primeira escolha devido à sua eficácia e baixo custo. É essencial também fornecer orientações nutricionais aos pais, incentivando a introdução de alimentos ricos em ferro e a redução do consumo excessivo de leite de vaca após o primeiro ano de vida. O acompanhamento da resposta ao tratamento é feito com hemograma e ferritina após alguns meses.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da anemia ferropriva em lactentes?

Os principais sinais incluem palidez cutaneomucosa, inapetência, irritabilidade e, em casos mais avançados, geofagia (ingestão de terra ou substâncias não alimentares). O atraso no desenvolvimento neuropsicomotor também pode ocorrer.

Como os exames laboratoriais auxiliam no diagnóstico da anemia ferropriva?

O hemograma tipicamente mostra anemia microcítica e hipocrômica (VCM e HCM baixos), com RDW elevado. A ferritina sérica, que reflete os estoques de ferro, estará baixa, confirmando a deficiência de ferro.

Qual a conduta inicial para o tratamento da anemia ferropriva em lactentes?

A conduta inicial é a suplementação oral de sulfato ferroso, geralmente na dose de 3 a 5 mg/kg/dia de ferro elementar, por pelo menos 3 meses, além de orientações dietéticas para aumentar a ingestão de alimentos ricos em ferro e reduzir o consumo excessivo de leite de vaca.

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