Anemia Ferropriva em Crianças: Diagnóstico e Conduta

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024

Enunciado

Em consulta de rotina, mãe de menino de dois anos refere que ele está inapetente, com muito sono e um pouco descorado. Atualmente come pouca carne e toma leite quatro vezes ao dia. Ao exame físico: eutrófico, descorado 2+/4+, escleras levemente azuladas, fígado a 1 cm RCD, baço não percutível e não palpável. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, os dados relevantes a serem questionados na história, a suspeita diagnóstica e a conduta

Alternativas

  1. A) Uso de sulfato ferroso profilático e aleitamento materno ou uso de leite fluido; anemia ferropriva; prescrever sulfato ferroso em dose terapêutica por 60 dias e retorno com coleta de hemograma, ferro e ferritina séricos ao final do tratamento.
  2. B) Alimentação atual e de aleitamento materno pregresso; anemia ferropriva; prescrever sulfato ferroso profilático até o retorno com a coleta de hemograma, ferro e ferritina séricos.
  3. C) Alimentação pregressa e atual, além de uso de ácido fólico; anemia megaloblástica; coleta de hemograma, ferro sérico e reticulócitos.
  4. D) Uso de sulfato ferroso profilático e alimentação pregressa e atual; anemia ferropriva; coleta de hemograma, ferro e ferritina séricos e retorno em breve.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum na infância, afetando principalmente crianças menores de dois anos. Sua prevalência é alta em países em desenvolvimento, impactando o desenvolvimento neuropsicomotor e a imunidade. É crucial para residentes reconhecerem os fatores de risco e a apresentação clínica. A fisiopatologia envolve a ingestão insuficiente de ferro, absorção inadequada ou perdas sanguíneas. O diagnóstico é suspeitado pela história clínica (dieta rica em leite, baixa ingestão de carne, ausência de profilaxia) e exame físico (palidez, escleras azuladas, hepatoesplenomegalia leve). A confirmação laboratorial com hemograma, ferro sérico e ferritina é fundamental. A conduta inicial inclui a investigação detalhada da história alimentar e do uso de sulfato ferroso profilático. Após a confirmação diagnóstica, o tratamento envolve a suplementação de sulfato ferroso em dose terapêutica e orientação dietética, com acompanhamento laboratorial para monitorar a resposta.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de anemia ferropriva em crianças?

Os sinais e sintomas incluem palidez cutaneomucosa, inapetência, sonolência, adinamia e, em casos mais avançados, escleras azuladas e hepatoesplenomegalia leve. A irritabilidade e o atraso no desenvolvimento também podem estar presentes.

Qual a importância da história alimentar na suspeita de anemia ferropriva?

A história alimentar é crucial, pois a ingestão excessiva de leite de vaca e a baixa oferta de alimentos ricos em ferro heme (como carne) são os principais fatores de risco. A ausência de profilaxia com sulfato ferroso também é um dado relevante.

Por que a ferritina sérica é importante no diagnóstico da anemia ferropriva?

A ferritina sérica é o principal marcador dos estoques de ferro do organismo. Níveis baixos de ferritina confirmam a deficiência de ferro, mesmo antes do surgimento de anemia franca, e são essenciais para diferenciar a anemia ferropriva de outras anemias.

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