HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024
Criança de 4 anos, sexo masculino, afrodescendente, com febre e dor de ouvido, com antecedente de aleitamento materno exclusivo até os 4 meses quando iniciou a creche. Após início da creche, mãe conta que criança sempre está com "nariz gripado" e já apresentou diversas infecções, necessitando de antibiótico. Pai com traço falciforme. Colhidos os seguintes exames laboratoriais: Entre as hipóteses diagnósticas, a mais provável para essa criança é anemia
Criança com infecções recorrentes e histórico de aleitamento prolongado/creche → suspeitar de anemia ferropriva.
A anemia ferropriva é a carência nutricional mais comum em crianças, especialmente naquelas com alimentação inadequada e/ou infecções de repetição, como as que frequentam creches. O histórico de aleitamento materno exclusivo prolongado sem suplementação de ferro após 6 meses e a introdução precoce na creche (aumentando infecções) são fatores de risco importantes.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais prevalente na infância, afetando o desenvolvimento neuropsicomotor e a imunidade. Sua epidemiologia está ligada a práticas alimentares inadequadas, como a falta de suplementação de ferro após os seis meses de vida em crianças amamentadas exclusivamente, e à introdução precoce de leite de vaca. A fisiopatologia envolve a depleção das reservas de ferro, essencial para a síntese de hemoglobina. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com hemograma mostrando anemia microcítica e hipocrômica, e exames complementares como ferritina sérica e saturação de transferrina. A suspeita deve surgir em crianças com palidez, fadiga, irritabilidade e, como no caso, infecções de repetição, especialmente aquelas que frequentam creches, onde a exposição a patógenos é maior. O tratamento consiste na suplementação de ferro oral, com acompanhamento da resposta hematológica. A prevenção é fundamental, incluindo o incentivo ao aleitamento materno, introdução alimentar adequada e suplementação profilática de ferro conforme as diretrizes. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a não identificação e tratamento podem levar a sequelas no desenvolvimento.
Os principais fatores incluem aleitamento materno exclusivo prolongado sem suplementação de ferro após 6 meses, dieta pobre em ferro, prematuridade, baixo peso ao nascer e infecções de repetição.
A frequência à creche aumenta a exposição a infecções, que podem levar a perdas sanguíneas ocultas, inflamação crônica e diminuição da absorção de ferro, contribuindo para a anemia.
O traço falciforme por si só não causa anemia significativa na criança, mas indica a necessidade de investigar hemoglobinopatias. No entanto, o quadro clínico descrito é mais sugestivo de anemia ferropriva.
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