Anemia Ferropriva Infantil: Profilaxia e Suplementação de Ferro

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020

Enunciado

Menina de 1 ano e 6 meses apresentou palidez e pica. Na revisão de sua história médica, constava registro de uso de gotas de vitamina D até os 12 meses, mas de nenhum medicamento atualmente; o peso de nascimento foi de 2.190 g com idade gestacional de 34 semanas; o aleitamento materno foi realizado até os 8 meses e não havia familiares com anemia. O ganho ponderal foi adequado, e sua alimentação, variada. Os resultados do hemograma encontram-se nas tabelas abaixo. Que medida, dentre as abaixo, poderia ter evitado essa anemia?

Alternativas

  1. A)  Uso de vitaminas A e D a partir dos 2 meses
  2. B)  Uso de complexo multivitamínico a partir dos 4 meses
  3. C)  Uso de sulfato ferroso a partir dos 4 meses
  4. D)  Manutenção do aleitamento materno
  5. E)  Adoção de dieta rica em carnes e produtos de origem animal

Pérola Clínica

Prematuros e baixo peso ao nascer → profilaxia com sulfato ferroso a partir dos 30 dias de vida ou 4 meses (se termo).

Resumo-Chave

A paciente, sendo prematura (34 semanas) e com baixo peso ao nascer (2.190g), tem maior risco de desenvolver anemia ferropriva. A profilaxia com sulfato ferroso é essencial para esses bebês, devendo ser iniciada precocemente para evitar a depleção das reservas de ferro.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum em crianças pequenas, com sérias consequências para o desenvolvimento físico e cognitivo. A principal causa é a ingestão insuficiente de ferro para suprir as necessidades de crescimento rápido. Bebês prematuros e com baixo peso ao nascer são particularmente vulneráveis, pois suas reservas de ferro ao nascimento são menores e se esgotam mais rapidamente. A fisiopatologia da anemia ferropriva em lactentes está ligada à depleção das reservas de ferro maternas (transferidas no terceiro trimestre da gestação) e à ingestão inadequada de ferro na dieta após o nascimento. O leite materno, embora excelente, não fornece ferro suficiente após os 6 meses, e o leite de vaca não é recomendado antes de 1 ano. Sintomas como palidez, fadiga, irritabilidade e pica (desejo de comer substâncias não alimentares) são comuns. A prevenção é a melhor estratégia. Para recém-nascidos a termo e com peso adequado, a profilaxia com sulfato ferroso geralmente começa aos 3-4 meses de vida e se estende até os 2 anos. Para prematuros e/ou com baixo peso ao nascer, a suplementação deve ser iniciada mais precocemente, a partir dos 30 dias de vida, devido às menores reservas iniciais. A dose e a duração variam conforme o peso e a idade gestacional. A introdução alimentar complementar rica em ferro a partir dos 6 meses também é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quando deve ser iniciada a profilaxia com sulfato ferroso em bebês prematuros?

Para bebês prematuros e/ou com baixo peso ao nascer, a profilaxia com sulfato ferroso deve ser iniciada a partir dos 30 dias de vida ou, no máximo, até o segundo mês de vida, e mantida até os 2 anos de idade.

Qual a importância da suplementação de ferro na infância?

A suplementação de ferro é crucial para prevenir a anemia ferropriva, que pode impactar negativamente o desenvolvimento neuropsicomotor, o crescimento, a imunidade e o desempenho cognitivo da criança.

O aleitamento materno exclusivo é suficiente para prevenir a anemia ferropriva?

Embora o aleitamento materno seja o alimento ideal, o teor de ferro no leite materno é baixo. As reservas de ferro do bebê, que são formadas no final da gestação, tendem a se esgotar por volta dos 4-6 meses de vida, tornando a suplementação e a introdução alimentar ricas em ferro necessárias, especialmente em grupos de risco.

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