Manejo da Anemia Ferropriva e Intolerância ao Ferro

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Gael, um lactente de 18 meses, ex-prematuro de 32 semanas (peso ao nascer de 1.800g), é levado à consulta de puerpericultura. A mãe relata que ele recebeu suplementação profilática de ferro dos 30 dias de vida até os 12 meses. Atualmente, a dieta baseia-se em 800 mL de leite de vaca integral por dia, com baixa aceitação de carnes e vegetais verde-escuros. Analise a imagem abaixo, que apresenta os exames laboratoriais iniciais solicitados pelo pediatra (Hemoglobina 9,0 g/dL, Hematócrito 27,5%, VCM 64 fL, Ferritina 12 ng/mL e anisocitose presente). Diante do diagnóstico de anemia ferropriva, foi prescrito sulfato ferroso na dose de 4 mg/kg/dia de ferro elementar, em tomada única diária, uma hora antes do almoço, além de orientações dietéticas. Após 4 semanas, a mãe retorna queixando-se de que a criança está extremamente irritada, apresentando constipação intestinal importante e fezes muito escurecidas. O hemograma de controle mostra Hemoglobina de 9,3 g/dL e reticulócitos de 1,2%. Qual a conduta mais adequada para este paciente?

Alternativas

  1. A) Aumentar a dose de ferro elementar para 6 mg/kg/dia e associar a administração com suco de frutas cítricas.
  2. B) Solicitar anticorpo antitransglutaminase tecidual IgA e dosagem de IgA total para investigar doença celíaca.
  3. C) Solicitar eletroforese de hemoglobina para investigar a associação de traço talassêmico à ferropenia.
  4. D) Fracionar a dose diária do ferro elementar ou substituir o sal ferroso por ferro quelato ou polimaltosado.

Pérola Clínica

Intolerância ou má resposta ao ferro oral → fracionar dose ou trocar por sais quelatos/polimaltosados.

Resumo-Chave

A baixa resposta hematológica associada a efeitos gastrointestinais indica má adesão ou intolerância, exigindo ajuste da formulação ou posologia para garantir a eficácia terapêutica.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a carência nutricional mais comum na infância, especialmente em ex-prematuros e crianças com dieta rica em leite de vaca e pobre em carnes. O diagnóstico baseia-se em hemoglobina baixa, VCM e HCM reduzidos, RDW aumentado (anisocitose) e ferritina baixa. O tratamento padrão com sulfato ferroso pode ser limitado por efeitos adversos gastrointestinais, que são dose-dependentes. A troca por formulações não iônicas (como o ferro polimaltosado) ou quelatos visa reduzir a irritação gástrica e o sabor metálico, favorecendo a continuidade do tratamento.

Perguntas Frequentes

Qual a dose terapêutica de ferro elementar na anemia ferropriva?

A dose recomendada para o tratamento da anemia ferropriva estabelecida na pediatria varia de 3 a 6 mg/kg/dia de ferro elementar. O sulfato ferroso é a primeira escolha pelo baixo custo, mas apresenta maior incidência de efeitos colaterais como náuseas, epigastralgia e constipação. Em casos de intolerância, o fracionamento da dose ou a substituição por complexos polimaltosados ou ferros quelatos é indicada para melhorar a adesão.

Como avaliar a resposta ao tratamento com ferro?

A primeira evidência de resposta é o pico reticulocitário, que ocorre entre o 5º e 10º dia de tratamento. Após 30 dias, espera-se uma elevação de pelo menos 1 g/dL na hemoglobina. Se a resposta for inadequada, deve-se investigar erros na administração (ex: uso com leite), má adesão por efeitos colaterais, perdas sanguíneas persistentes ou diagnósticos diferenciais como talassemias.

Por que o leite de vaca integral favorece a anemia?

O leite de vaca integral possui baixa biodisponibilidade de ferro e pode causar micro-hemorragias na mucosa intestinal do lactente. Além disso, o cálcio e o fosfato presentes no leite competem com o ferro pelo transportador DMT1 no enterócito, inibindo sua absorção. Recomenda-se limitar o consumo a no máximo 500 mL/dia após os 12 meses.

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