CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2025
Paciente do sexo masculino, 1 ano de idade, vem à consulta de puericultura acompanhado de sua mãe, que se queixa apenas de palidez cutaneomucosa percebida pelos familiares da criança. Nega outras queixas. Menor faz uso de ferro profilático na dose de 1 mg/kg/dia, desde os 6 meses de idade e vitamina D na dose de 400 UI ao dia, desde 7 dias de vida. No exame laboratorial de rotina, apresenta Hb de 10,5 mg/dl. VCM e HCM discretamente diminuídos, ferritina 6 mg/dl, sem outras alterações. Qual a melhor conduta para esse paciente?
Anemia ferropriva em lactente com ferro profilático → aumentar dose de ferro para tratamento (3-6 mg/kg/dia) por 6 meses, depois profilaxia.
Um lactente com palidez, hemoglobina limítrofe (10,5 mg/dL), VCM/HCM diminuídos e ferritina muito baixa (6 mg/dL) apresenta anemia ferropriva, mesmo em uso de ferro profilático. A dose profilática (1 mg/kg/dia) é insuficiente para tratar a anemia estabelecida. A conduta correta é aumentar a dose de ferro para a faixa terapêutica (3-6 mg/kg/dia de ferro elementar) por um período de 3 a 6 meses, seguido de reavaliação laboratorial e retorno à dose profilática até os 2 anos de idade.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum em crianças, especialmente em lactentes, e representa um sério problema de saúde pública devido aos seus impactos negativos no desenvolvimento cognitivo, motor e imunológico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Brasil recomendam a suplementação profilática de ferro para lactentes a partir dos 6 meses de idade. No entanto, mesmo com a profilaxia, alguns lactentes podem desenvolver anemia, como no caso apresentado. O diagnóstico da anemia ferropriva é feito pela combinação de achados clínicos, como palidez cutaneomucosa, e laboratoriais. A hemoglobina (Hb) abaixo dos valores de referência para a idade, associada a um volume corpuscular médio (VCM) e hemoglobina corpuscular média (HCM) diminuídos (indicando microcitose e hipocromia), e uma ferritina sérica baixa (refletindo a depleção dos estoques de ferro), confirmam o diagnóstico. No caso, a ferritina de 6 mg/dL é um forte indicativo de deficiência de ferro. Quando a anemia ferropriva é diagnosticada, a dose de ferro deve ser aumentada para fins terapêuticos. A dose de ferro elementar para tratamento varia de 3 a 6 mg/kg/dia, e deve ser mantida por um período de 3 a 6 meses. Após a normalização dos níveis de hemoglobina, é fundamental continuar a suplementação por mais 2 a 3 meses para repor os estoques de ferro (evidenciado pela normalização da ferritina). Após o período de tratamento, o paciente deve retornar à dose profilática de ferro (1 mg/kg/dia) até os 2 anos de idade, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde, para prevenir a recorrência da anemia.
O diagnóstico de anemia ferropriva em lactentes é baseado em achados clínicos como palidez e laboratoriais, incluindo hemoglobina abaixo do normal para a idade (geralmente < 11 g/dL para crianças de 6 meses a 5 anos), VCM e HCM diminuídos (microcitose e hipocromia) e, principalmente, ferritina sérica baixa (< 12 ng/mL), que reflete os estoques de ferro.
A dose recomendada de ferro elementar para o tratamento da anemia ferropriva em crianças é de 3 a 6 mg/kg/dia, dividida em uma ou duas tomadas. O tratamento deve ser mantido por, no mínimo, 3 meses após a normalização da hemoglobina, ou por 6 meses no total, para repor os estoques de ferro.
A suplementação profilática de ferro é crucial na infância, especialmente entre 6 e 24 meses de idade, devido ao rápido crescimento e à baixa ingestão de ferro na dieta, que aumentam o risco de deficiência. Ela visa prevenir a anemia ferropriva, que pode ter impactos negativos no desenvolvimento cognitivo e motor da criança.
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