Anemia em Idoso: Investigação de Causa Subjacente

UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

Um homem de 69 anos de idade acompanhado no ambulatório de clínica médica com história de dor abdominal e perda de peso. Ao exame, apresenta palidez e dor no hipocôndrio direito. O hemograma revela anemia hipocrômica, microcítica e anisocitose. Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais indicada para o caso.

Alternativas

  1. A) Solicitação de eletroforese de hemoglobina e prescrição de sulfato ferroso junto das refeições.
  2. B) Solicitação de dosagem de ferro, prescrição de sulfato ferroso e vitamina B12 e avaliação em três meses, pois o hemograma tende a retornar a valores normais após esse período.
  3. C) Solicitação da dosagem de ferro, ferritina e investigação da causa da anemia e do emagrecimento.
  4. D) Solicitação da dosagem de ferro, bilirrubinas, DHL, tomografia do abdome e prescrição de sulfato ferroso e vitamina C.
  5. E) Solicitação de haptoglobina, bilirrubinas, DHL e prescrição de ácido fólico e vitamina B12.

Pérola Clínica

Idoso com anemia hipocrômica/microcítica + dor abdominal/perda de peso → Investigar sangramento gastrointestinal oculto (neoplasia).

Resumo-Chave

Em pacientes idosos, a anemia ferropriva, especialmente quando acompanhada de sintomas gastrointestinais como dor abdominal e perda de peso, nunca deve ser tratada apenas com suplementação de ferro sem uma investigação aprofundada da causa subjacente. É mandatório descartar sangramento gastrointestinal crônico, que pode ser um sinal de neoplasia colorretal ou outras condições graves.

Contexto Educacional

A anemia é uma condição comum em idosos, e a anemia ferropriva é a causa mais frequente. No entanto, em pacientes idosos, a anemia ferropriva raramente é apenas nutricional; ela é um sinal de alerta que exige investigação rigorosa para identificar a causa subjacente, sendo o sangramento gastrointestinal crônico a etiologia mais comum. A presença de sintomas como dor abdominal e perda de peso intensifica a suspeita de uma patologia grave, como uma neoplasia maligna. O diagnóstico da anemia ferropriva é estabelecido pelo hemograma (anemia hipocrômica, microcítica, anisocitose) e pelos exames de metabolismo do ferro, que tipicamente mostram ferritina sérica baixa, ferro sérico baixo e capacidade total de ligação de ferro (CTLF) elevada. Uma vez confirmada a deficiência de ferro, a investigação da causa é imperativa, especialmente em idosos, onde a prevalência de câncer colorretal e outras lesões gastrointestinais é maior. A conduta mais indicada é a investigação completa da causa da anemia e do emagrecimento. Isso geralmente envolve endoscopia digestiva alta e colonoscopia para rastrear sangramentos ou lesões malignas no trato gastrointestinal. A suplementação de ferro deve ser iniciada após ou em conjunto com a investigação diagnóstica, mas nunca como tratamento exclusivo sem elucidação da etiologia, para evitar o atraso no diagnóstico de condições potencialmente fatais.

Perguntas Frequentes

Quais exames laboratoriais são essenciais para investigar anemia ferropriva?

Para investigar anemia ferropriva, além do hemograma completo, são essenciais a dosagem de ferro sérico, ferritina (que reflete os estoques de ferro), capacidade total de ligação de ferro (CTLF) e saturação da transferrina. A ferritina baixa é o indicador mais sensível de deficiência de ferro.

Por que a anemia ferropriva em idosos exige investigação gastrointestinal?

Em idosos, a anemia ferropriva é frequentemente causada por sangramento gastrointestinal crônico, que pode ser secundário a úlceras, divertículos, angiodisplasias ou, mais preocupantemente, neoplasias malignas, como câncer colorretal. A investigação é crucial para identificar e tratar a causa subjacente.

Quais são os sinais de alerta para neoplasia gastrointestinal em um paciente com anemia?

Sinais de alerta para neoplasia gastrointestinal em um paciente com anemia incluem perda de peso inexplicada, dor abdominal persistente, alteração do hábito intestinal (diarreia ou constipação de início recente), sangramento retal visível ou oculto, e história familiar de câncer colorretal.

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