HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2025
Paciente masculino, 45 anos, pedreiro. Vem ao ambulatório com fadiga progressiva, palidez cutânea e dispneia aos esforços há três meses. Nega perda de peso, febre ou sudorese noturna. Refere consumo frequente de antiinflamatórios não esteroides devido a dores lombares crônicas associadas a trabalho braçal intenso. Ao exame físico, observa-se palidez cutâneo-mucosa e frequência cardíaca de 92 bpm. Exames laboratoriais revelam: hemoglobina de 9,5 g/dL, volume corpuscular médio (VCM) de 72 fL, ferritina sérica de 10 ng/mL e saturação de transferrina de 12%.Qual a conduta mais adequada para investigação etiológica neste paciente?
Anemia microcítica hipocrômica + ferritina/saturação transferrina ↓ em adulto → investigar sangramento GI.
A anemia ferropriva em homens adultos e mulheres pós-menopausa é quase sempre secundária a sangramento crônico, sendo o trato gastrointestinal a causa mais comum. A história de uso crônico de AINEs aumenta a suspeita de sangramento gastrointestinal. A investigação com endoscopia digestiva alta e colonoscopia é essencial para identificar a fonte do sangramento.
A anemia ferropriva (AF) é a deficiência nutricional mais comum no mundo, mas em adultos, especialmente homens e mulheres pós-menopausa, sua etiologia raramente é puramente dietética. Nesses grupos, a AF é um sinal de alerta para perda crônica de sangue, sendo o trato gastrointestinal a fonte mais frequente. A compreensão dessa premissa é vital para a prática clínica e para provas de residência. O diagnóstico laboratorial da AF é feito pela tríade de anemia microcítica hipocrômica, ferritina sérica baixa (refletindo depleção dos estoques de ferro) e saturação de transferrina reduzida. Uma vez confirmada a AF, a investigação da causa é imperativa. O uso crônico de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) é um fator de risco conhecido para lesões gastrointestinais (úlceras, gastrite) que podem levar a sangramento crônico e anemia. A conduta mais adequada para investigação etiológica em um paciente adulto com AF e suspeita de sangramento gastrointestinal é a realização de endoscopia digestiva alta e colonoscopia. Esses exames permitem a visualização direta da mucosa gastrointestinal, a identificação de lesões sangrantes (como úlceras, pólipos, angiodisplasias ou neoplasias) e a realização de biópsias, se necessário. A suplementação de ferro sem uma investigação completa pode atrasar o diagnóstico de condições graves e potencialmente fatais.
A anemia ferropriva é caracterizada por hemoglobina baixa, volume corpuscular médio (VCM) e hemoglobina corpuscular média (HCM) reduzidos (anemia microcítica hipocrômica), ferritina sérica baixa (reflete os estoques de ferro) e saturação de transferrina baixa.
Em homens adultos e mulheres pós-menopausa, a anemia ferropriva é raramente causada por deficiência dietética ou má absorção isolada. A principal causa é a perda crônica de sangue, sendo o trato gastrointestinal a fonte mais comum, incluindo úlceras, pólipos ou neoplasias, que requerem investigação endoscópica.
O teste de sangue oculto nas fezes pode ser um rastreamento inicial, mas um resultado negativo não exclui sangramento intermitente ou lesões que sangram apenas ocasionalmente. Em pacientes com anemia ferropriva confirmada e suspeita de sangramento gastrointestinal, a endoscopia digestiva alta e colonoscopia são os exames de escolha, independentemente do resultado do sangue oculto.
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