Anemia Ferropriva por Ancilostomíase: Diagnóstico em Crianças

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023

Enunciado

PSD, 9 anos, sexo feminino, natural e procedente da zona rural de Itacoatiara-AM, residente em área, sem rede de esgoto e sem tratamento de água. Queixa dores abdominais, apresenta-se apático e só quer permanecer deitado. Ao exame, observa-se palidez cutânea, pele com aspecto amarelado, embora não esteja ictérico. Na ausculta cardíaca: sopro sistólico ++/6+, em foco mitral, sem irradiação, sem frêmito. Hemograma de urgência: Hg- 8,3g/dL; Ht-25%; VCM- 63fl e RDW-21,5%. O diagnóstico mais provável e uma possível etiologia seria:

Alternativas

  1. A) Amenia Ferropriva secundária à Ancilostomíase.
  2. B) Anemia Megaloblástica secundária à dieta com leite de cabra.
  3. C) Beta-talassemia secundária à erro inato do metabolismo.
  4. D) Anemia de doença crônica secundaria à Doença Inflamatória Intestinal.

Pérola Clínica

Anemia microcítica + contexto rural/saneamento precário + sintomas inespecíficos → Anemia Ferropriva por Ancilostomíase.

Resumo-Chave

A anemia ferropriva é a causa mais comum de anemia microcítica em crianças, especialmente em áreas com saneamento precário, onde parasitoses como a ancilostomíase são endêmicas. O VCM baixo e RDW elevado são achados típicos, e o sopro sistólico funcional é uma manifestação comum de anemia grave.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum globalmente, afetando principalmente crianças e mulheres em idade fértil. Em regiões com saneamento básico deficiente, como a zona rural do Amazonas, as parasitoses intestinais, em particular a ancilostomíase, são uma causa prevalente de anemia ferropriva devido à perda crônica de sangue no trato gastrointestinal. A apresentação clínica inclui palidez, fadiga, apatia e, em casos de anemia grave, sopros cardíacos funcionais. O diagnóstico laboratorial da anemia ferropriva é caracterizado por um hemograma que revela anemia microcítica (VCM < 80 fL) e hipocrômica (HCM baixo), com um RDW (red cell distribution width) frequentemente elevado, indicando anisocitose. A confirmação da etiologia parasitária é feita pelo exame parasitológico de fezes, que identifica os ovos dos helmintos. O tratamento envolve a reposição de ferro e a erradicação da parasitose com anti-helmínticos, como o albendazol ou mebendazol. A prevenção é fundamental e inclui melhorias no saneamento básico, acesso à água potável e educação em saúde. Para residentes, é crucial integrar o contexto epidemiológico e social na investigação etiológica da anemia, especialmente em populações de risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais da anemia ferropriva?

A anemia ferropriva é caracterizada por anemia microcítica (VCM baixo), hipocrômica (HCM baixo), com RDW geralmente elevado, ferritina sérica baixa e capacidade total de ligação do ferro (TIBC) elevada.

Como a ancilostomíase causa anemia ferropriva?

A ancilostomíase é causada por vermes (Ancylostoma duodenale e Necator americanus) que se fixam na mucosa intestinal e se alimentam de sangue, causando perda sanguínea crônica e, consequentemente, deficiência de ferro.

Quais são as manifestações clínicas da ancilostomíase?

Além dos sintomas de anemia (palidez, fadiga, dispneia), a ancilostomíase pode causar dor abdominal, diarreia, perda de peso e, em casos graves, geofagia. A 'pele amarelada' sem icterícia é devido à palidez intensa.

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