Anemia Ferropriva em Adultos: Investigação e Manejo

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 55 anos apresenta cansaço intenso e dispneia aos esforços, sintomas que começaram há três meses. Relata perda de peso involuntária de 5 kg no último mês e leve desconforto abdominal, sem outros sintomas gastrointestinais. No exame físico, apresenta palidez cutânea e mucosa, sem icterícia ou linfadenopatia. O abdome é flácido, com leve dor à palpação no quadrante superior esquerdo, sem massas ou hepatoesplenomegalia. Exames laboratoriais iniciais mostram hemoglobina de 9 g/dL (Referência: 13,5–17,5 g/dL), VCM de 75 fL (Referência: 80–100 fL), ferritina de 8 ng/mL (Referência: 30–400 ng/mL), ferro sérico de 20 μg/dL (Referência: 60–170 μg/dL), TIBC de 400 μg/dL (Referência: 250–450 μg/dL) e saturação de transferrina de 5% (Referência: 20–50%).Diante desses achados laboratoriais e do quadro clínico, qual seria a conduta mais apropriada para investigação da etiologia da anemia?

Alternativas

  1. A) Iniciar reposição de ferro oral e acompanhar evolução.
  2. B) Solicitar endoscopia e colonoscopia para investigação de perda de sangue oculta.
  3. C) Iniciar transfusão sanguínea imediata.
  4. D) Avaliar função renal antes de qualquer intervenção.
  5. E) Realizar biópsia de medula óssea para investigação de neoplasia.

Pérola Clínica

Anemia microcítica hipocrômica com ferritina ↓ e TIBC ↑ em adulto → Investigar perda sanguínea (TGI).

Resumo-Chave

A anemia microcítica e hipocrômica, com ferritina e ferro sérico baixos e TIBC elevado, é altamente sugestiva de anemia ferropriva. Em um adulto, especialmente com perda de peso e desconforto abdominal, a causa mais comum é a perda crônica de sangue, sendo imperativa a investigação do trato gastrointestinal superior e inferior.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, sendo uma condição prevalente em diversas faixas etárias. Em adultos, especialmente homens e mulheres pós-menopausa, a principal causa é a perda crônica de sangue, e não a ingestão inadequada. O quadro clínico é insidioso, com cansaço, dispneia aos esforços, palidez e, em casos mais avançados, perda de peso e desconforto abdominal, como no paciente descrito. O diagnóstico laboratorial é feito pela tríade de anemia microcítica e hipocrômica (VCM baixo), ferritina sérica baixa (reflete os estoques de ferro) e saturação de transferrina baixa, com TIBC elevado. Esses achados confirmam a deficiência de ferro. No entanto, o desafio clínico reside em identificar a causa subjacente da deficiência, e não apenas tratar a anemia. Em adultos, a investigação da causa da perda de ferro é mandatório. O trato gastrointestinal é a fonte mais comum de sangramento crônico, seja por úlceras, gastrites, divertículos, angiodisplasias, doença inflamatória intestinal ou, de forma mais preocupante, neoplasias colorretais ou gástricas. Portanto, a conduta mais apropriada é a realização de endoscopia digestiva alta e colonoscopia para buscar a origem da perda sanguínea, antes ou concomitantemente ao início da reposição de ferro. A transfusão sanguínea é reservada para casos de instabilidade hemodinâmica ou anemia sintomática grave.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais que confirmam a anemia ferropriva?

A anemia ferropriva é caracterizada por hemoglobina baixa, VCM baixo (microcitose), ferritina sérica muito baixa (reflete estoques de ferro), ferro sérico baixo, TIBC elevado (capacidade total de ligação do ferro) e saturação de transferrina muito baixa.

Por que a investigação do trato gastrointestinal é crucial na anemia ferropriva em adultos?

Em adultos, a causa mais comum de anemia ferropriva é a perda crônica de sangue, principalmente do trato gastrointestinal. A investigação com endoscopia e colonoscopia é essencial para identificar e tratar a fonte do sangramento, que pode ser desde úlceras até neoplasias malignas.

Quando a reposição de ferro oral é apropriada e quando não é suficiente?

A reposição de ferro oral é o tratamento padrão para anemia ferropriva, mas só deve ser iniciada após a investigação da causa subjacente, especialmente em adultos. Não é suficiente se houver má absorção, intolerância ou perda sanguínea contínua e significativa.

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