Anemia Ferropriva: Diagnóstico e Causas em Mulheres Jovens

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Mulher, 21 anos, com disúria, febre e dor lombar há 3 dias. Refere perda ponderal de 10 Kg nos últimos 3 meses devido início de dieta vegetariana. G0P0. Relata ciclos menstruais regulares, mensais, com 9 dias de duração e saída de coágulos nos primeiros 2 dias, desde a menarca. Nega comorbidades.Exame físico: REG, hipocorada 2+/4, desidratada 2+/4. Tax: 39°C. FR: 22 ipm, FC: 108 bpm e PA: 110x70 mmHg. Sem outras alterações.Exames laboratoriais =Hb: 8,1 g/dL; Ht: 27%; VCM: 79 fL (VN: 80-98); RDW: 19% (VN: 11-14); GB: 14.200; PLQ: 528.000; Cr: 1,9 mg/dL; Ur: 89 mg/dL; urina: campo tomado por leucócitos.Ferritina: 10ng/mL (VN: 11-306); Ferro sérico: 30μg/dL (VN: 60-180); TIBC: 330 μg/dL (VN: 228-428).Qual é o mecanismo fisiopatológico da anemia apresentada pela paciente?

Alternativas

  1. A) Redução da ingestão de ferro.
  2. B) Perda crônica de sangue.
  3. C) Aumento de citocinas inflamatórias.
  4. D) Baixa produção de eritropoietina.

Pérola Clínica

Anemia microcítica hipocrômica + Ferritina ↓ + Menorragia → Perda crônica de sangue (ferropriva).

Resumo-Chave

A paciente apresenta anemia microcítica e hipocrômica com ferritina e ferro sérico baixos, e TIBC normal/alto, indicando anemia ferropriva. Embora a dieta vegetariana possa contribuir, a história de menorragia com coágulos por 9 dias é a causa mais provável e significativa da perda crônica de ferro.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, sendo particularmente prevalente em mulheres em idade fértil. Caracteriza-se por uma redução na produção de hemoglobina devido à falta de ferro, essencial para a eritropoiese. Clinicamente, manifesta-se por fadiga, palidez, dispneia aos esforços e, em casos graves, sintomas de disfunção orgânica. A fisiopatologia da anemia ferropriva envolve um balanço negativo de ferro, seja por ingestão inadequada, absorção deficiente ou perda crônica de sangue. Em mulheres jovens, a menorragia (sangramento menstrual excessivo) é uma das causas mais frequentes e significativas. Outras causas incluem sangramento gastrointestinal, gravidez e dietas restritivas, como a vegetariana, que pode ter menor biodisponibilidade de ferro. O diagnóstico é laboratorial, com hemograma completo (anemia microcítica e hipocrômica, RDW elevado), e perfil de ferro (ferritina sérica baixa, ferro sérico baixo, TIBC elevado). O tratamento envolve a reposição de ferro, preferencialmente oral, e a identificação e tratamento da causa subjacente da perda de ferro, como o manejo da menorragia. É crucial diferenciar da anemia de doença crônica, onde a ferritina pode estar normal ou elevada.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais indicadores laboratoriais de anemia ferropriva?

Os principais indicadores incluem hemoglobina e hematócrito reduzidos, VCM baixo (microcitose), CHCM baixo (hipocromia), RDW elevado, ferritina sérica baixa, ferro sérico baixo e TIBC elevado ou normal.

Como a menorragia contribui para a anemia ferropriva?

A menorragia, caracterizada por sangramento menstrual excessivo e prolongado, leva à perda crônica de sangue e, consequentemente, à exaustão das reservas de ferro do corpo, resultando em anemia ferropriva.

Qual o papel da dieta vegetariana na anemia ferropriva?

Dietas vegetarianas podem ter menor biodisponibilidade de ferro heme, aumentando o risco de deficiência. No entanto, em casos de anemia grave com perda crônica de sangue, a dieta é geralmente um fator contribuinte, não a causa principal.

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