Anemia Ferropriva em Idosos: Diagnóstico e Causas

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 82 anos, sexo feminino, professora aposentada, hipertensa e diabética há 15 anos em uso de enalapril 10 mg 2 vezes ao dia e metformina 500 mg 2 vezes ao dia e lombalgia crônica, com uso cerca de uma a duas vezes por semana de diclofenaco 50 mg para controle de dor. Paciente com seguimento irregular, sem acompanhamento há cerca de dois anos vem à consulta referindo fadiga, dispneia aos moderados esforços e perda de peso, de cerca de 5 kg em 12 meses. Refere episódios intermitentes de diarreia há 2 anos. Ao exame físico, paciente em bom estado geral, mas com palidez cutaneomucosa 2+/4+, hidratada, anictérica, eupneica, queilite angular, PA 130/80 mmHg, ausência de hepato ou esplenomegalia. Restante do exame físico sem alterações. Exames laboratoriais: hemoglobina 9,0 g/dL; hematócrito 25%; VCM 75 fL; HCM 25 pg; RDW 16%; leucócitos 4.500/mL; plaquetas 400.000/mL; ureia 73 mg/dL; creatinina 1.38 mg/dL. Com base no caso clínico, qual a hipótese diagnóstica mais provável?

Alternativas

  1. A) Anemia de doença crônica.
  2. B) Talassemia.
  3. C) Anemia sideroblástica.
  4. D) Anemia ferropriva.

Pérola Clínica

Anemia microcítica hipocrômica + RDW ↑ + queilite angular + uso AINE crônico em idoso → Anemia Ferropriva.

Resumo-Chave

A anemia ferropriva em idosos deve sempre levantar a suspeita de sangramento gastrointestinal crônico, especialmente com uso de AINEs. A queilite angular e os índices hematimétricos (VCM e HCM baixos, RDW elevado) são marcadores clássicos da deficiência de ferro. A investigação da causa subjacente é crucial.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo e uma causa frequente de anemia em idosos. Nesses pacientes, a etiologia mais comum é a perda crônica de sangue, principalmente do trato gastrointestinal, e não a ingestão inadequada. A presença de comorbidades como diabetes e hipertensão, e o uso de medicamentos como AINEs, aumentam o risco. O diagnóstico da anemia ferropriva é sugerido por um hemograma que revela anemia microcítica e hipocrômica (VCM e HCM baixos), com anisocitose (RDW elevado). Clinicamente, o paciente pode apresentar fadiga, dispneia, palidez, e sinais específicos de deficiência de ferro como queilite angular e glossite. A investigação da causa subjacente é imperativa, especialmente em idosos, onde sangramentos gastrointestinais ocultos (por úlceras, pólipos, neoplasias ou uso de AINEs) são a principal preocupação. O tratamento envolve a reposição de ferro, geralmente por via oral, e o manejo da causa subjacente. A identificação e tratamento da fonte de sangramento são cruciais para evitar recorrência. Em idosos, a investigação endoscópica (colonoscopia e/ou endoscopia digestiva alta) é frequentemente necessária para excluir neoplasias ou outras lesões sangrantes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais da anemia ferropriva?

A anemia ferropriva é caracterizada por anemia microcítica (VCM baixo) e hipocrômica (HCM baixo), com anisocitose (RDW elevado). A ferritina sérica baixa e a saturação de transferrina reduzida confirmam a deficiência de ferro.

Por que o uso crônico de AINEs pode causar anemia ferropriva?

O uso crônico de AINEs (como diclofenaco) pode causar lesões na mucosa gastrointestinal, levando a sangramentos ocultos e crônicos, que resultam em perda contínua de ferro e, consequentemente, anemia ferropriva.

Quais são as manifestações clínicas comuns da anemia ferropriva em idosos?

Em idosos, a anemia ferropriva pode se manifestar com fadiga, dispneia aos esforços, palidez cutaneomucosa, queilite angular, glossite, coiloníquia e, em casos de sangramento gastrointestinal, alterações do hábito intestinal ou perda de peso.

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