UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2022
Mulher, 28 anos, procura atendimento por desânimo, dor em membros inferiores e queda de cabelo há 3 meses. Previamente hígida, história de cesariana há 3 anos. Ao exame está descorada ++/4+, língua despapilada, coiloniquia. Trouxe hemograma de algumas semanas atrás: hemoglobina 8,7 g/dl; volume corpuscular médio 74; hemoglobina corpuscular média 24; RDW 19%, reticulócitos 2,5 %. Em relação ao caso acima, quanto às possíveis causas de anemia, podemos afirmar:
Anemia microcítica hipocrômica + RDW alto + reticulócitos normais/baixos + sinais clínicos → Anemia Ferropriva. Investigar perdas!
A anemia ferropriva é a causa mais comum de anemia microcítica e hipocrômica, especialmente em mulheres jovens. A presença de RDW elevado (anisocitose) é um achado característico, e os reticulócitos geralmente não estão aumentados de forma compensatória. Sinais como coiloniquia e língua despapilada reforçam a suspeita de deficiência de ferro. A investigação deve focar em perdas sanguíneas (menstruais, gastrointestinais) e ingestão inadequada.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo e uma das principais causas de anemia, especialmente em mulheres em idade fértil e crianças. É fundamental para o residente reconhecer seus padrões laboratoriais e manifestações clínicas, que incluem fadiga, palidez, dispneia, e sinais específicos como coiloniquia e glossite atrófica, indicando a cronicidade da deficiência. A compreensão da epidemiologia e dos grupos de risco é crucial para uma abordagem preventiva e diagnóstica eficaz na prática clínica diária. Do ponto de vista fisiopatológico, a deficiência de ferro leva à produção de eritrócitos menores e com menos hemoglobina, resultando em anemia microcítica e hipocrômica. O diagnóstico laboratorial é confirmado pela ferritina sérica baixa (melhor indicador dos estoques de ferro), saturação da transferrina reduzida e capacidade total de ligação do ferro (TIBC) aumentada. É imperativo não apenas diagnosticar a anemia, mas também investigar sua causa subjacente, que pode variar de perdas menstruais e dietas restritivas a sangramentos gastrointestinais ocultos ou síndromes de má absorção. O tratamento da anemia ferropriva consiste na reposição de ferro, preferencialmente por via oral, com acompanhamento da resposta terapêutica através de hemogramas seriados e avaliação dos estoques de ferro. A identificação e correção da causa são essenciais para evitar recidivas e para descartar condições mais graves que possam estar mascaradas pela deficiência de ferro. Para a prova de residência, é vital saber diferenciar a anemia ferropriva de outras anemias microcíticas, como talassemias e anemia de doença crônica.
A anemia ferropriva tipicamente apresenta hemoglobina baixa, volume corpuscular médio (VCM) e hemoglobina corpuscular média (HCM) diminuídos (anemia microcítica e hipocrômica). O RDW (índice de anisocitose) costuma estar elevado, e os reticulócitos podem ser normais ou ligeiramente baixos para o grau de anemia.
Além da palidez, a deficiência de ferro pode manifestar-se com coiloniquia (unhas em colher), língua despapilada (glossite atrófica), queilite angular, fadiga, dispneia aos esforços, pica (desejo por substâncias não nutritivas) e queda de cabelo. Estes sinais são importantes para o diagnóstico clínico.
A conduta inicial envolve investigar as causas mais comuns: perdas menstruais excessivas, dieta inadequada e sangramentos gastrointestinais. Deve-se questionar sobre o fluxo menstrual, hábitos alimentares e sintomas gastrointestinais, além de considerar exames complementares como ferritina sérica e pesquisa de sangue oculto nas fezes.
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