UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2023
Paciente de 80 anos, previamente portador de hipertensão arterial sistêmica, procura o atendimento médico por queixa de fadiga e dispneia aos esforços moderados, sem outras queixas maiores na anamnese. Exame físico: regular estado geral, hipocorado 2+/4, acianótico, anictérico, afebril. Sem alterações de sinais vitais. Coletado hemograma inicial que demonstrou: Hb 8,5g/dL, Ht 26,5%, VCM 75fL, HCM 26pg, RDW 20%, reticulócitos sem alterações, leucócitos 5.600/mm³ , plaquetas 170 mil/mm3 . Qual exame diferenciaria com maior acurácia uma anemia ferropriva por doença crônica?
Anemia microcítica: Aspirado de medula óssea com azul da Prússia = gold standard para diferenciar ferropriva de doença crônica.
Em casos de anemia microcítica com parâmetros de ferro e ferritina ambíguos (ex: ferritina elevada na doença crônica que pode mascarar deficiência de ferro), o aspirado de medula óssea com coloração de azul da Prússia para avaliação dos estoques de ferro é o método mais acurado para diferenciar anemia ferropriva (ausência de ferro) de anemia de doença crônica (ferro presente, mas sequestrado).
A anemia é uma condição comum, especialmente em idosos, e seu diagnóstico diferencial é um desafio frequente na prática clínica. A anemia ferropriva e a anemia de doença crônica são as causas mais comuns de anemia microcítica hipocrômica. A diferenciação entre elas é crucial, pois o tratamento é distinto: reposição de ferro na ferropriva e manejo da doença de base na anemia de doença crônica. A apresentação clínica pode ser semelhante, com fadiga e dispneia aos esforços. O hemograma inicial, com VCM e HCM baixos e RDW elevado, sugere uma anemia microcítica. Embora o perfil de ferro e ferritina sejam exames de primeira linha, a ferritina, sendo um reagente de fase aguda, pode estar falsamente elevada em pacientes com inflamação crônica, dificultando a interpretação. Nesses casos, a avaliação dos estoques de ferro na medula óssea por meio de aspirado e coloração com azul da Prússia (Perls) torna-se o método mais acurado. Este exame permite visualizar diretamente a presença ou ausência de ferro nos macrófagos medulares, fornecendo a resposta definitiva. Para residentes e estudantes, é fundamental compreender as limitações dos exames laboratoriais e saber quando escalar para métodos diagnósticos mais invasivos, mas mais precisos. O manejo adequado da anemia depende de um diagnóstico etiológico correto, evitando tratamentos desnecessários ou ineficazes. Dominar o algoritmo diagnóstico das anemias é essencial para a prática clínica e para o sucesso em provas de residência.
Ambas as anemias podem ser microcíticas e hipocrômicas (VCM e HCM baixos). Na anemia ferropriva, o RDW (amplitude de distribuição dos glóbulos vermelhos) costuma estar elevado devido à anisocitose. Na anemia de doença crônica, o RDW pode ser normal ou discretamente elevado. A contagem de reticulócitos é geralmente normal ou baixa em ambas.
O perfil de ferro (ferro sérico, capacidade total de ligação do ferro, saturação da transferrina) e a ferritina são exames de primeira linha. No entanto, a ferritina, que é um marcador de estoque de ferro, também é um reagente de fase aguda. Em pacientes com doença crônica e inflamação, a ferritina pode estar normal ou elevada, mascarando uma deficiência de ferro concomitante e dificultando a diferenciação.
O aspirado de medula óssea com coloração de azul da Prússia (Perls) é o padrão-ouro para avaliar os estoques de ferro medular. Na anemia ferropriva, os estoques de ferro estão ausentes. Na anemia de doença crônica, os estoques de ferro estão presentes ou até aumentados nos macrófagos, mas o ferro está sequestrado e não disponível para a eritropoiese.
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