Anemia Ferropriva: Diagnóstico Laboratorial e Perfil de Ferro

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014

Enunciado

Uma mulher com 34 anos de idade, em atendimento ambulatorial, refere palpitação, fraqueza e sensação de desmaio, iniciadas há três meses e que vêm se agravando. A paciente não refere emagrecimento ou febre e está em uso irregular de anticoncepcional oral e de fluoxetina – 40 mg/dia. Ao exame encontra-se descorada, hidratada, sem visceromegalias, taquicárdica, com bulhas rítmicas e normofonéticas. O resultado do hemograma revela: • Hemoglobina: 7,8 g/dL (Valor de referência = 12 - 16 g/dL); • Hematócrito: 25% (Valor de referência= 36% - 46%); • Volume corpuscular médio: 70 fl (Valor de referência= 80 - 100 fl); • RDW diminuído; • Leucócitos totais: 7.470/mm³ (Valor de referência = 4.500 - 11.000/mm³) - [3% bastões, 55% segmentados, 35% linfócitos, 7% monócitos]; • Plaquetas: 234.000/mm³ (Valor de referência = 150.000 - 350.000/mm³). Sobre as hipóteses diagnósticas e a investigação laboratorial complementar para essa paciente, é correto afirmar que se trata de provável anemia:

Alternativas

  1. A) Ferropriva e espera-se que a dosagem de ferro sérico, a ferritina e o índice de saturação de transferrina estejam baixos.
  2. B) Por perda crônica de sangue, por via menstrual ou gastrointestinal, e espera-se aumento na contagem de reticulócitos.
  3. C) Secundária a neoplasia, sendo necessário o rastreamento nos sítios mais comuns para mulher: mama e colo de útero.
  4. D) Devido a deficiência ou erro alimentar na ingestão de ferro, não sendo necessária investigação adicional para a paciente.

Pérola Clínica

Anemia microcítica + Ferritina ↓ = Diagnóstico definitivo de deficiência de ferro.

Resumo-Chave

A anemia ferropriva é a principal causa de microcitose; a ferritina baixa é o parâmetro mais sensível e específico para avaliar os estoques de ferro.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a carência nutricional mais comum no mundo. Em mulheres em idade fértil, a principal etiologia é a perda sanguínea excessiva pelo fluxo menstrual, seguida por causas gastrointestinais. O hemograma revela anemia microcítica (VCM baixo) e hipocrômica (HCM/CHCM baixos), frequentemente acompanhada de anisocitose. O diagnóstico padrão-ouro laboratorial baseia-se na demonstração de estoques de ferro depletados. A ferritina sérica < 30 ng/mL é altamente sugestiva de deficiência. O tratamento envolve a reposição de ferro (geralmente via oral com sulfato ferroso) e, crucialmente, a investigação e correção da causa base da perda de ferro para evitar recidivas e diagnosticar patologias subjacentes.

Perguntas Frequentes

Quais os achados clássicos do perfil de ferro na anemia ferropriva?

Na anemia ferropriva clássica, observamos: Ferro sérico baixo, Ferritina baixa (o marcador mais fidedigno de estoque), Capacidade Total de Ligação do Ferro (TIBC) elevada e Índice de Saturação de Transferrina (IST) baixo (geralmente < 15-20%). A ferritina é o primeiro parâmetro a se alterar, caindo antes mesmo da queda da hemoglobina. É importante lembrar que a ferritina é uma proteína de fase aguda, podendo estar falsamente normal ou alta em estados inflamatórios, mesmo com deficiência de ferro associada.

Por que o RDW costuma estar aumentado na anemia ferropriva?

O RDW (Red Cell Distribution Width) mede a variação de tamanho entre as hemácias (anisocitose). Na anemia ferropriva em desenvolvimento, a medula óssea começa a produzir hemácias cada vez menores (microcíticas) à medida que o ferro acaba. Como ainda circulam hemácias normocíticas produzidas anteriormente, a coexistência de populações de tamanhos diferentes eleva o RDW. Embora a questão mencione RDW diminuído (o que é atípico para ferropenia), o conjunto clínico de microcitose e hipocromia em mulher jovem aponta fortemente para ferropenia por perda menstrual.

Como diferenciar anemia ferropriva de anemia de doença crônica?

A principal diferença reside na Ferritina e no TIBC. Na anemia ferropriva, a ferritina está baixa e o TIBC está alto (o corpo tenta 'captar' mais ferro). Na anemia de doença crônica, a ferritina está normal ou alta (o ferro está 'estocado' mas inacessível devido à hepcidina) e o TIBC está baixo ou normal. Ambas podem ser microcíticas, mas a anemia de doença crônica é mais frequentemente normocítica e normocrômica no início.

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