FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021
Homem de 54 anos com relato de sangramento crônico intermitente pelas fezes. Refere estar bem e traz o seguinte hemograma coletado há uma semana da consulta: Hb 6,7 g/dl, Ht 20%, VCM 78 fl. HCM 23 pg. RDW 20%, Leucócitos totais 5.300/mm³, plaquetas 550.000/mm³. Relata ainda já ter recebido transfusão sanguínea várias vezes, última há 45 dias; nega uso de medicações. Seus sinais vitais eram: PA 130x80 mmHg. FC 62 bpm, SaO2 98% e peso de 75kg. Qual seria o manejo mais adequado dessa anemia?
Anemia crônica bem tolerada com Hb > 6-7 g/dL e estável → evitar transfusão, investigar causa e repor ferro.
Paciente com anemia crônica (Hb 6,7 g/dL) e sinais vitais estáveis, sem sintomas de instabilidade hemodinâmica ou isquemia, geralmente não tem indicação imediata de transfusão. A prioridade é investigar a causa do sangramento crônico (provável deficiência de ferro) e iniciar reposição de ferro, após solicitar ferrocinética para confirmar o diagnóstico e guiar o tratamento.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, frequentemente causada por perda crônica de sangue, como no sangramento gastrointestinal. A apresentação clínica varia de assintomática a sintomas graves de hipóxia tecidual, dependendo da velocidade de instalação e da gravidade da anemia. O hemograma revela anemia microcítica e hipocrômica, com RDW elevado, indicando anisocitose. No caso apresentado, o paciente tem uma hemoglobina de 6,7 g/dL, mas está hemodinamicamente estável (PA 130x80, FC 62, SaO2 98%) e sem sinais de hipóxia aguda. Ele já recebeu transfusões prévias, o que sugere uma anemia crônica bem tolerada. A decisão de transfundir concentrado de hemácias não deve ser baseada apenas no valor da hemoglobina, mas sim na presença de sintomas de hipóxia tecidual ou instabilidade hemodinâmica. O manejo mais adequado envolve a investigação da causa do sangramento crônico (sangramento intermitente pelas fezes) e a reposição de ferro. A solicitação de ferrocinética é fundamental para confirmar a deficiência de ferro e diferenciar de outras causas de anemia microcítica, como a anemia de doença crônica ou talassemias, antes de iniciar a reposição. Transfusões desnecessárias expõem o paciente a riscos como reações transfusionais e sobrecarga de ferro.
Os critérios incluem hemoglobina < 7 g/dL em pacientes estáveis, < 8 g/dL em cardiopatas ou pós-cirúrgicos, ou qualquer nível de Hb com sinais de hipóxia tecidual (angina, dispneia grave, hipotensão, choque).
A ferrocinética (ferro sérico, ferritina, saturação de transferrina) é crucial para confirmar o diagnóstico de anemia ferropriva, diferenciar de outras anemias (como anemia de doença crônica) e guiar a dose e duração da reposição.
As principais causas incluem sangramento gastrointestinal crônico (úlceras, pólipos, câncer), sangramento menstrual excessivo, má absorção (doença celíaca, cirurgia bariátrica) e dietas deficientes.
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