Anemia Ferropriva com Eosinofilia: Diagnóstico e Tratamento

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2021

Enunciado

Homem de 21 anos é internado com queixa de fraqueza nos últimos 6 meses. Familiares relatam que nesse período adquiriu o hábito de comer gelo todos os dias. O único achado de exame físico é o descoramento de mucosas. O hemograma mostra hemoglobina de 7,9 g/dL, 8.500 leucócitos/mm3 sendo 40% neutrófilos, 40% linfócitos e 20% eosinófilos. Dentre os abaixo, o volume corpuscular médio (em fL) mais provável e o tratamento mais adequado são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) 115, transfusão de concentrado de hemácias e folato.
  2. B) 75, transfusão de concentrado de hemácias e ferro.
  3. C) 75, albendazol e ferro.
  4. D) 75, albendazol e corticoide

Pérola Clínica

Anemia ferropriva grave + pagofagia + eosinofilia = suspeitar de parasitose intestinal (ancilostomíase).

Resumo-Chave

A anemia ferropriva grave, manifestada por fraqueza e pagofagia (hábito de comer gelo), associada à eosinofilia, sugere fortemente uma perda crônica de sangue, como a causada por parasitoses intestinais (ex: ancilostomíase). O tratamento envolve a reposição de ferro e a erradicação do parasita.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, caracterizada pela redução dos estoques de ferro no organismo, levando à diminuição da produção de hemoglobina. Clinicamente, manifesta-se por fraqueza, fadiga, palidez de mucosas e, em casos graves, sintomas como pagofagia (desejo de comer gelo) ou pica (desejo por substâncias não nutritivas). É crucial investigar a causa da deficiência de ferro, especialmente em adultos jovens. O hemograma típico da anemia ferropriva mostra anemia microcítica e hipocrômica, ou seja, com volume corpuscular médio (VCM) e hemoglobina corpuscular média (HCM) reduzidos. A presença de eosinofilia, como no caso apresentado (20% de eosinófilos), é um forte indicativo de parasitoses intestinais, como a ancilostomíase, que podem causar perda crônica de sangue e, consequentemente, deficiência de ferro. O tratamento da anemia ferropriva envolve a reposição de ferro, geralmente com sulfato ferroso oral, por um período prolongado (3-6 meses após a normalização da hemoglobina) para restaurar os estoques. Em casos de suspeita ou confirmação de parasitose, o tratamento anti-helmíntico (ex: albendazol) é fundamental para eliminar a causa da perda sanguínea e garantir a eficácia da reposição de ferro.

Perguntas Frequentes

O que é pagofagia e qual sua relação com a anemia?

Pagofagia é o desejo compulsivo de comer gelo, um tipo de pica, frequentemente associado à anemia ferropriva. Acredita-se que o gelo alivie a inflamação da língua ou melhore a sensação de alerta em pacientes anêmicos, embora o mecanismo exato não seja totalmente compreendido.

Por que a eosinofilia é relevante em um caso de anemia ferropriva?

A eosinofilia, aumento dos eosinófilos no sangue, em um paciente com anemia ferropriva, é um forte indício de parasitoses intestinais, como a ancilostomíase, que causam perda crônica de sangue e deficiência de ferro devido à fixação na mucosa intestinal.

Qual o tratamento adequado para anemia ferropriva causada por parasitose?

O tratamento envolve a reposição de ferro (geralmente sulfato ferroso oral) para corrigir a anemia e a administração de um anti-helmíntico, como o albendazol, para erradicar o parasita causador da perda sanguínea, garantindo a recuperação completa.

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