Anemia Ferropriva em Lactentes: Diagnóstico e Dieta

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

Davi, 12 meses de idade, reside com os pais que são vegetarianos, na zona rural. Recebeu leite materno exclusivo até os 6 meses de idade, quando substituiu por leite de cabra ''in natura'', frutas, e papa salgada. Atualmente, além de leite sua alimentação é rica em vegetais folhosos, legumes, frutas, e chás caseiros. Ingere cerca de três ovos por semana, porém não faz uso de carne de boi, frango ou peixe. Não realiza acompanhamento com pediatra e vai à Unidade Básica de Saúde apenas para vacinação, Mãe leva o filho para consulta, pois está achando-o irritado e com hiporexia. Ao exame: Peso: 10Kg, Estatura: 70cm, palidez cutâneo-mucosa acentuada, esclera com tom azulado, fígado não palpado e baço palpado sob o rebordo costal esquerdo. Demais aparelhos sem alterações. Qual a deficiência MAIS PROVÁVEL , que esta criança está apresentando?

Alternativas

  1. A) Ácido fólico
  2. B) Cobre
  3. C) Ferro
  4. D) Vitamina b12

Pérola Clínica

Lactente vegetariano + leite de cabra + palidez/esclera azul = Anemia ferropriva grave.

Resumo-Chave

A história de dieta vegetariana sem suplementação adequada e o uso de leite de cabra (pobre em ferro e que pode causar sangramento intestinal microscópico) em um lactente com palidez, irritabilidade e esplenomegalia são altamente sugestivos de anemia ferropriva grave.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando principalmente crianças pequenas, gestantes e mulheres em idade fértil. Em lactentes, é uma condição de grande preocupação devido ao seu impacto negativo no desenvolvimento neurocognitivo e motor. A etiologia mais frequente é a ingestão inadequada de ferro, especialmente em dietas restritivas ou no uso de leites não fortificados. A fisiopatologia envolve a depleção das reservas de ferro do organismo, levando à produção de eritrócitos microcíticos e hipocrômicos. Os sinais clínicos incluem palidez cutâneo-mucosa, irritabilidade, hiporexia, fadiga e, em casos mais avançados, esclera azulada e esplenomegalia. A história alimentar é crucial para o diagnóstico, especialmente em famílias vegetarianas ou que utilizam substitutos inadequados para o leite materno ou fórmulas infantis, como o leite de cabra "in natura". O tratamento consiste na suplementação oral de ferro em doses terapêuticas, acompanhada de orientação nutricional para aumentar a ingestão de alimentos ricos em ferro heme (carnes) ou não-heme (vegetais folhosos, leguminosas) com fatores que aumentam sua absorção (vitamina C). A prevenção é feita com aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, introdução alimentar adequada e, se necessário, suplementação profilática de ferro.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de anemia ferropriva grave em lactentes?

Os sinais clínicos incluem palidez cutâneo-mucosa acentuada, irritabilidade, hiporexia (falta de apetite), fadiga, e em casos graves, esclera com tom azulado e esplenomegalia, além de atraso no desenvolvimento.

Por que o leite de cabra "in natura" pode contribuir para anemia ferropriva em lactentes?

O leite de cabra "in natura" é pobre em ferro e, além disso, pode induzir micro-sangramentos intestinais em lactentes, agravando a deficiência de ferro. Ele não é adequado como substituto do leite materno ou fórmulas infantis.

Qual a conduta para um lactente com suspeita de anemia ferropriva grave?

A conduta inclui a confirmação diagnóstica com hemograma completo e perfil de ferro (ferritina, ferro sérico, capacidade total de ligação do ferro), seguida de suplementação oral de ferro em doses terapêuticas e orientação nutricional rigorosa.

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