UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020
Menino com 6 anos de idade apresenta astenia e palidez. Sua mãe, em razão disso, resolve levá-lo ao pediatra e refere que ele sempre está com sono. Ao exame físico, o pediatra observou palidez sem visceromegalias. Segundo a mãe, não tem história familiar de anemia, e sua alimentação é pobre em proteínas e verduras, mas rica em carboidratos. Os resultados de seus exames laboratoriais foram: Hb 6,5 g/dl, VCM 64 fL, leucócitos 5600/mm³, plaquetas 650.000/mm³, índice de saturação da transferrina 7%, ferritina 8 ng/ml. Com base nesse quadro, o diagnóstico provável e o tratamento adequado são, respectivamente,
Criança com anemia microcítica hipocrômica (VCM ↓, Hb ↓) + ferritina ↓ + IST ↓ = Anemia Ferropriva. Tratar com sulfato ferroso oral.
O quadro clínico (astenia, palidez, sono, dieta inadequada) e laboratorial (Hb 6,5 g/dl, VCM 64 fL, IST 7%, ferritina 8 ng/ml) são altamente sugestivos de anemia ferropriva grave. O tratamento de escolha é a reposição oral de sulfato ferroso, e a transfusão de concentrado de hemácias é reservada para casos de instabilidade hemodinâmica ou anemia muito grave com sintomas de falência cardíaca, o que não é descrito.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando principalmente crianças e mulheres em idade fértil. Em crianças, é frequentemente causada por ingestão inadequada de ferro, má absorção ou perdas sanguíneas. Os sintomas incluem palidez, astenia, fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração, que podem impactar o desenvolvimento cognitivo e físico. O diagnóstico da anemia ferropriva é baseado na história clínica (dieta, sintomas) e nos exames laboratoriais. O hemograma revela anemia microcítica e hipocrômica (VCM e HCM baixos). Os exames de ferro sérico são cruciais: ferritina sérica baixa (<12-15 ng/ml) é o melhor indicador de deficiência de ferro, mesmo antes da anemia se instalar. O índice de saturação da transferrina (IST) também estará baixo. Plaquetas elevadas (trombocitose reativa) podem ocorrer em anemias ferroprivas graves. O tratamento de escolha para anemia ferropriva é a reposição oral de ferro, geralmente com sulfato ferroso, na dose de 3 a 5 mg/kg/dia de ferro elementar, por um período prolongado (3 a 6 meses) para repor os estoques. A transfusão de concentrado de hemácias é reservada para situações de emergência, como instabilidade hemodinâmica, sinais de falência cardíaca ou hipóxia tecidual grave, e não é a primeira linha de tratamento para anemia ferropriva estável, mesmo que grave.
Os achados incluem hemoglobina baixa, VCM baixo (microcitose), HCM baixo (hipocromia), ferritina sérica baixa, saturação da transferrina baixa e RDW elevado.
A dose terapêutica de sulfato ferroso é geralmente de 3 a 5 mg/kg/dia de ferro elementar, dividida em 1 a 2 doses, por um período de 3 a 6 meses.
A transfusão é indicada em casos de anemia ferropriva grave com instabilidade hemodinâmica, sinais de falência cardíaca, hipóxia tecidual grave ou necessidade de correção rápida da anemia para cirurgia.
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