Anemia Ferropriva e Doença Celíaca: Diagnóstico e Manejo

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022

Enunciado

Paciente masculino, 30 anos, encontra-se em investigação de diarreia crônica e perda de peso. Suas fezes não apresentavam sangue, pus e nem leucócitos. Dados os exames, hemoglobina de 7 g/dl, VCM 70 fL (80-100 fL), HCM 22 pg (26-34 pg), CHCM 28 g/dl (32-36 g/dl), RDW 18% (12-16%), ferro sérico 20 μg/dl (65-175 μg/dl), ferritina 5 ηg/ml (30-400 ηg/ml), índice de saturação de transferrina de 4%, capacidade total de ligação do ferro (TIBC) 500 μg/dl (250-425 µg/dl). A anemia, a doença de base mais provável e o método para o seu diagnóstico são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) anemia ferropriva, doença de Crohn e colonoscopia.
  2. B) anemia de doença crônica, doença celíaca e dosagem do anti-Sm.
  3. C) anemia de doença crônica, retocolite ulcerativa e dosagem do ANCA.
  4. D) anemia ferropriva, doença celíaca e realização de endoscopia digestiva alta com biópsia de duodeno.
  5. E) anemia ferropriva, síndrome do intestino irritável e dosagem do ASCA.

Pérola Clínica

Anemia microcítica hipocrômica com ferritina ↓ e TIBC ↑ em diarreia crônica → investigar doença celíaca via EDA + biópsia.

Resumo-Chave

A anemia ferropriva refratária ou associada a sintomas gastrointestinais crônicos, como diarreia e perda de peso, deve levantar a suspeita de má absorção. A doença celíaca é uma causa comum, e o diagnóstico definitivo é feito por biópsia duodenal.

Contexto Educacional

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum globalmente, afetando milhões. Em adultos, a causa mais frequente é a perda sanguínea crônica, mas a má absorção intestinal, como na doença celíaca, deve ser sempre investigada, especialmente em casos refratários ou com sintomas gastrointestinais. A doença celíaca é uma enteropatia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. A inflamação crônica do intestino delgado leva à atrofia vilositária, comprometendo a absorção de nutrientes, incluindo o ferro. A suspeita clínica surge com sintomas como diarreia crônica, perda de peso, distensão abdominal e anemia ferropriva. O diagnóstico da doença celíaca envolve a triagem sorológica (anticorpos anti-transglutaminase tecidual IgA e anti-endomísio IgA) e a confirmação histopatológica por biópsia duodenal via endoscopia digestiva alta. O tratamento consiste na exclusão rigorosa do glúten da dieta, o que geralmente reverte a anemia e os sintomas gastrointestinais.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais da anemia ferropriva?

A anemia ferropriva é caracterizada por VCM, HCM e CHCM baixos (microcítica e hipocrômica), RDW elevado, ferro sérico e ferritina baixos, e TIBC elevado com saturação de transferrina muito baixa.

Quando suspeitar de doença celíaca em um paciente com anemia ferropriva?

Deve-se suspeitar de doença celíaca em casos de anemia ferropriva refratária ao tratamento oral, ou quando associada a sintomas gastrointestinais como diarreia crônica, perda de peso, dor abdominal ou distensão.

Qual o método diagnóstico padrão-ouro para doença celíaca?

O diagnóstico padrão-ouro para doença celíaca é a endoscopia digestiva alta com biópsias múltiplas do duodeno, que evidenciam atrofia vilositária, hiperplasia de criptas e aumento de linfócitos intraepiteliais.

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