HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2020
Paciente com astenia em investigação com hematologista, traz consigo exames que revelam: Hb 10mg/dl, VCM 65fL, HCM 25pg, RDW 20%, ácido fólico 5.0ng/ml; vitamina B12 200pg/ml, Ferro 30mcg/dl, IST 15% e Ferritina 18ng/ml. TIBC 600mcg/dl. Reticulócito 0.1%. Valores de referência: Hb 13.5-19.6g/dl; VCM 77-101Fl, HCM 28-33 pg; RDW 11.5- 14.5%; ácido fólico >3.37ng/ml; vitamina B12 300-900pg/ml; Ferro 50-170 mcg/dl; IST 20- 50%; Ferritina 23-336ng/ml; TIBC 250-425mcg/dl. Reticulócito 0.5-2.1%. O provável diagnóstico é anemia
Anemia microcítica hipocrômica + Ferritina ↓, Ferro ↓, IST ↓, TIBC ↑ → Anemia Ferropriva.
O perfil laboratorial (Hb 10, VCM 65, HCM 25, RDW 20%, Ferritina 18, Ferro 30, IST 15%, TIBC 600) é clássico de anemia ferropriva, caracterizada por microcitose, hipocromia, deficiência de ferro nos estoques e na circulação, e aumento da capacidade de ligação do ferro.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando milhões de pessoas, especialmente mulheres em idade fértil e crianças. É caracterizada pela redução da hemoglobina devido à deficiência de ferro, essencial para a síntese do heme. Sua importância clínica reside nas múltiplas manifestações sistêmicas, desde fadiga e astenia até comprometimento cognitivo e imunológico. A fisiopatologia envolve a depleção dos estoques de ferro, seguida pela redução do ferro disponível para a eritropoiese. Isso leva à produção de hemácias menores (microcíticas) e com menos hemoglobina (hipocrômicas). O diagnóstico é laboratorial, com hemoglobina baixa, VCM e HCM reduzidos, e RDW elevado. Os parâmetros do metabolismo do ferro são cruciais: ferritina sérica (reflete os estoques) baixa, ferro sérico baixo, saturação de transferrina (IST) baixa e capacidade total de ligação do ferro (TIBC) elevada, indicando que há muitos "lugares vazios" para o ferro se ligar. O tratamento da anemia ferropriva consiste na reposição de ferro, geralmente por via oral, com monitorização da resposta através da elevação da hemoglobina e normalização dos parâmetros do ferro. É fundamental investigar e tratar a causa subjacente da deficiência de ferro, que pode ser perda sanguínea (menstruação, sangramento gastrointestinal), má absorção ou aumento da demanda. A diferenciação de outras anemias microcíticas, como a anemia de doença crônica ou talassemia, é feita pela análise cuidadosa do perfil completo do ferro.
Os principais parâmetros são: hemoglobina baixa, VCM e HCM baixos (microcítica e hipocrômica), RDW elevado, ferritina sérica baixa (estoques), ferro sérico baixo, saturação de transferrina (IST) baixa e capacidade total de ligação do ferro (TIBC) elevada.
Na anemia ferropriva, a ferritina é baixa e o TIBC é alto. Na anemia de doença crônica, a ferritina é normal ou alta (é um reagente de fase aguda) e o TIBC é normal ou baixo. Ambas podem ser microcíticas.
O RDW (Red Cell Distribution Width) geralmente está elevado na anemia ferropriva, indicando anisocitose (variação no tamanho das hemácias), pois a deficiência de ferro afeta a produção de hemácias de forma heterogênea.
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