HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2015
Paciente do sexo feminino de 38 anos refere que há seis meses iniciou com quadro de astenia, dor em membros inferiores. Informa que a alimentação não tem sido muito adequada devido à correria do dia a dia. Relata sonolência, queda de cabelo, unhas quebradiças e irritabilidade. Iniciou tratamento antidepressivo sem resultados satisfatórios até o momento. Nos últimos meses observou aumento do fluxo menstrual o que a levou procurar a Unidade Básica de Saúde do bairro. Realizou um ultrassom transvaginal que identificou mioma uterino. A paciente informa 02 gestações sem relato de aborto. Ela traz para você os exames de sangue realizados: Hb 9,5 g/dL; Htc 27%; VCM72; HCM 20; hipocromia, microcitose, reticulócitos 0,3%;ferritina 10ng/dl; saturação de transferrina 14. O Diagnóstico e a conduta a ser adotada para correção do quadro é, respectivamente:
Anemia microcítica hipocrômica + Ferritina ↓ + Saturação Transferrina ↓ + Hipermenorreia por mioma = Anemia ferropriva, tratar ferro e causa do sangramento.
O quadro clínico e laboratorial (Hb baixa, VCM/HCM baixos, ferritina e saturação de transferrina reduzidas, reticulócitos baixos) são altamente sugestivos de anemia ferropriva. A causa mais provável em uma mulher com mioma uterino e aumento do fluxo menstrual é a hipermenorreia, que leva à perda crônica de ferro. O tratamento deve abordar tanto a reposição de ferro quanto a causa subjacente do sangramento.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando predominantemente mulheres em idade fértil devido à perda de sangue menstrual. Clinicamente, manifesta-se por astenia, fadiga, palidez, queda de cabelo, unhas quebradiças e irritabilidade. O diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais que revelam anemia microcítica e hipocrômica, com níveis baixos de ferritina sérica (principal marcador de estoque de ferro) e saturação de transferrina. A fisiopatologia envolve a depleção dos estoques de ferro do corpo, essenciais para a síntese de hemoglobina. Em mulheres, a hipermenorreia, frequentemente associada a condições como miomas uterinos, é uma causa primária. Miomas são tumores benignos do útero que podem distorcer a cavidade uterina e aumentar a superfície de sangramento, levando a perdas sanguíneas significativas. O tratamento da anemia ferropriva exige a reposição de ferro, geralmente com sulfato ferroso oral, e a identificação e tratamento da causa subjacente. No caso de hipermenorreia por mioma, o manejo pode incluir terapias hormonais para reduzir o sangramento, anti-inflamatórios não esteroides ou, em casos selecionados, procedimentos cirúrgicos como miomectomia ou histerectomia. É crucial que residentes compreendam a importância de investigar a etiologia da anemia, e não apenas tratar o sintoma.
O diagnóstico de anemia ferropriva é baseado na hemoglobina baixa, VCM e HCM reduzidos (anemia microcítica hipocrômica), ferritina sérica baixa (<30 ng/dL), saturação de transferrina baixa (<20%) e reticulócitos normais ou baixos.
Miomas uterinos podem causar sangramento uterino anormal, como hipermenorreia (fluxo menstrual intenso e prolongado), levando à perda crônica de sangue e, consequentemente, à deficiência de ferro e anemia.
A conduta inicial inclui a reposição de ferro por via oral (sulfato ferroso) e o tratamento da causa da hipermenorreia, que pode envolver medicamentos para reduzir o sangramento ou, em alguns casos, intervenção cirúrgica para o mioma.
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