FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2020
Mulher de 75 anos, com quadro de fraqueza progressiva, irritabilidade, intolerância aos exercícios há 1 mês. Relatava já ter realizado tratamento para doença do refluxo gastroesofágico. Ao exame físico encontrava-se em regular estado geral, descorada 3+/4+, hidratada, PA 122 x 72 mmHg, frequência cardíaca 92 bpm. Aparelho respiratório e cardiovascular sem alterações. Abdome sem massas palpáveis. Toque retal sem melena ou sangue em dedo de luva. Exames complementares: Hemograma: hemoglobina: 6,8 g/dL (referência: 12-16); volume corpuscular médio: 78fL (referência: 80-100); leucócitos: 4.550/mm³ (referência: 4.000-10.000), com diferencial normal. plaquetas: 359.000/mm³ (referência: 150.000- 400.000), além de ferropenia. Endoscopia digestiva alta com esofagite erosiva distal e colonoscopia sem alterações. Além do tratamento da doença de base, está indicada (o) inicialmente:
Anemia ferropriva grave sem sangramento ativo/instabilidade → sulfato ferroso oral é 1ª linha, mesmo em idosos.
A paciente apresenta anemia ferropriva grave (Hb 6,8 g/dL) com microcitose e ferropenia confirmada. Embora a esofagite erosiva distal seja um achado, não há evidência de sangramento ativo ou instabilidade hemodinâmica que justifique transfusão imediata. A primeira linha de tratamento para anemia ferropriva, mesmo em casos graves, é a reposição de ferro via oral, preferencialmente com sulfato ferroso, que é eficaz e de baixo custo.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, e em idosos, sua investigação e tratamento são cruciais devido ao impacto significativo na qualidade de vida e na morbidade. A apresentação clínica, como fraqueza, irritabilidade e intolerância a exercícios, é típica. O hemograma revela anemia microcítica e hipocrômica (VCM baixo, Hb baixa), e a ferropenia é confirmada por exames específicos de ferro. Neste caso, a paciente apresenta anemia ferropriva grave (Hb 6,8 g/dL) e ferropenia. A investigação etiológica é fundamental, e a endoscopia digestiva alta com esofagite erosiva distal, embora um achado, não indica um sangramento agudo ou maciço que justifique uma intervenção emergencial como a transfusão. A colonoscopia sem alterações afasta sangramento colônico. A ausência de melena ou sangue no toque retal reforça a ausência de sangramento gastrointestinal ativo e significativo. A conduta inicial para anemia ferropriva, mesmo em casos graves, mas sem instabilidade hemodinâmica ou sintomas de isquemia de órgãos, é a reposição de ferro por via oral. O sulfato ferroso é a forma mais comum e eficaz, com boa absorção e baixo custo. A dose usual é de 150-200 mg de ferro elementar por dia, dividida em 2-3 doses, e o tratamento deve ser mantido por vários meses após a normalização da hemoglobina para repor os estoques de ferro. A transfusão de hemácias é reservada para situações de instabilidade hemodinâmica ou sintomas graves de hipóxia tecidual.
O diagnóstico é baseado em hemoglobina baixa, volume corpuscular médio (VCM) baixo (microcitose), e evidência de deficiência de ferro, como ferritina sérica baixa, saturação de transferrina baixa e aumento da capacidade total de ligação do ferro.
A transfusão de hemácias é reservada para pacientes com anemia grave e instabilidade hemodinâmica, sintomas de isquemia miocárdica ou cerebral, ou falha de órgãos, não sendo a primeira linha para anemia ferropriva estável, mesmo que grave.
O sulfato ferroso oral é a primeira escolha devido à sua eficácia comprovada, baixo custo e boa tolerabilidade na maioria dos pacientes. A absorção é adequada para corrigir a deficiência de ferro na ausência de síndromes de má absorção.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo