HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2024
Mulher de 28 anos de idade comparece ao ambulatório com queixa de intolerância ao exercício físico e "desejo" de comer gelo nas últimas semanas. Não tem outras queixas ou alterações ao exame físico. Nega comorbidades conhecidas prévias. Os exames evidenciam: hemoglobina 9g/dL (VR: 12 - 16g/dL), VCM 80fL (VR: 80 - 100fL), ferritina 10mcg/L (VR: 15 a 149mcg/L), ferro sérico 8micromol/L (VR: 10 - 30micromol/L), reticulócitos de 0,5% (ref.: 0,5 - 2,5%) e vitamina B12 de 130picomol/L (VR: 120 - 700picomol/L). Qual é o diagnóstico etiológico do quadro de anemia dessa paciente?
Anemia ferropriva: ferritina ↓, ferro sérico ↓, VCM pode ser normal no início. Pica (pagofagia) é sintoma clássico.
A anemia ferropriva é o tipo mais comum de anemia, caracterizada pela deficiência de ferro. Os sintomas incluem intolerância ao exercício e pica (desejo de comer substâncias não nutritivas, como gelo - pagofagia). Laboratorialmente, apresenta ferritina e ferro sérico baixos. O VCM pode ser normal nas fases iniciais, antes de se tornar microcítica.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando principalmente mulheres em idade fértil, crianças e gestantes. É caracterizada pela diminuição da hemoglobina devido à insuficiência de ferro para a eritropoiese, resultando em uma capacidade reduzida de transporte de oxigênio pelo sangue. A importância clínica reside nas suas múltiplas manifestações, que afetam a qualidade de vida e o desempenho físico e cognitivo. A fisiopatologia envolve a depleção dos estoques de ferro, seguida pela eritropoiese deficiente em ferro. Os sintomas incluem fadiga, palidez, intolerância ao exercício e, classicamente, a pica (desejo por substâncias não nutritivas), como a pagofagia (desejo de comer gelo). O diagnóstico laboratorial é feito pela hemoglobina baixa, ferritina sérica baixa (melhor indicador dos estoques de ferro), ferro sérico baixo e saturação de transferrina reduzida. É importante notar que o VCM (Volume Corpuscular Médio) pode ser normal nas fases iniciais da deficiência, tornando a ferritina um marcador mais sensível para o diagnóstico precoce. O tratamento da anemia ferropriva consiste na reposição de ferro, geralmente por via oral, com sulfato ferroso. A duração do tratamento deve ser suficiente para corrigir a anemia e repor os estoques de ferro, o que pode levar de 3 a 6 meses após a normalização da hemoglobina. A investigação da causa da deficiência de ferro (sangramento menstrual excessivo, sangramento gastrointestinal, má absorção) é fundamental para prevenir recorrências.
Os sintomas da anemia ferropriva incluem fadiga, palidez, intolerância ao exercício, dispneia, tontura e, em casos mais específicos, pica (desejo de comer substâncias não nutritivas como gelo, terra ou amido) e coiloníquia (unhas em colher).
Para o diagnóstico da anemia ferropriva, são cruciais a dosagem de hemoglobina (baixa), ferritina sérica (baixa, o melhor indicador de estoque de ferro), ferro sérico (baixo), saturação de transferrina (baixa) e capacidade total de ligação do ferro (alta). O VCM pode ser normal ou baixo.
O VCM (Volume Corpuscular Médio) pode ser normal nas fases iniciais da deficiência de ferro porque a medula óssea ainda consegue produzir hemácias de tamanho normal, apesar da diminuição dos estoques de ferro. A microcitose (VCM baixo) só se manifesta quando a deficiência é mais prolongada e grave.
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